As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Thursday, August 18, 2016

Granito em Creme vence concurso de empreendedorismo em Vila Pouca de Aguiar

O concurso foi lançado pelo Município de Vila Pouca de Aguiar e pela EHATB - Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso, S.A.: concurso de ideias empreendedoras, sob a designação “um novo olhar sobre o granito”.

Desafiar a população a pensar no principal setor económico do território - granito - para inovar e criar valor, foram os objectivos propostos.

Andreia Tão e Alexandra Machado venceram o concurso com a apresentação do Granito em Creme, um produto destinado ao tratamento da pele que será produzido a partir de um desperdício do corte de granito. Este creme tem propriedades esfoliantes, garantem as autoras.

No segundo lugar ficou a proposta de Diana Sousa, equipamentos urbanos em granito destinados aos circuitos de manutenção e bem estar para a população.

O terceiro lugar coube a Elisabete Gonçalves com a proposta de merchandising local alusiva à Capital do Granito, com recurso à produção de souvenirs em sabonete.

Foram atribuídas duas menções honrosas: extintores com pó de granito e centro de formação para pilotos de drones em pedreiras desactivadas.

Este concurso foi um desafio à população e aos empresários para novas abordagens ao setor do granito. Ficaram aqui cinco boas ideias que podem e devem ser exploradas para criar valor e emprego naquela que é uma das maiores fileiras do território, afirmou Duarte Marques, o vereador do Municipio e Vila Pouca de Aguiar que presidiu à cerimónia da entrega de prémios.

O concurso contou com o apoio da APMRA - Associação Portuguesa de Marketing Rural e Agronegócio para a organização, promoção e avaliação de candidaturas.

Thursday, June 16, 2016

Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação

Comemora-se amanhã - 17 de Junho - o Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação, que é celebrado desde 1995, o ano em que o dia foi proclamado pelas Nações Unidas. Neste dia pretende-se promover a sensibilização pública relativas à cooperação internacional no combate à desertificação e os efeitos da seca.


Em Portugal assiste-se ao fenómeno do despovoamento, um estádio anterior aos processos de desertificação: a carência de população rural conduz ao abandono dos territórios agrícolas e florestais, e um simples incêndio seria o suficiente para se iniciar a última etapa de desaproveitamento dos solos.

Para prevenir a desertificação, existem em Portugal vários programas de repovoamento, maioritariamente municipais.

O Programa Novos Povoadores tem abrangência nacional, e é o único que concilia as competências dos migrantes com as estratégias das regiões.
Isso permite que um engenheiro informático seja apoiado p.e. para o desenvolvimento de aplicações, se assim o desejar, e não para áreas da sua incompetência onde teria mais dificuldade em explorar as oportunidades de contexto.

Para o sucesso desta ligação entre famílias e territórios, é fundamental que as regiões tenham estratégias claras para o seu desenvolvimento económico.
Um concelho per si, não tem a capacidade de definir com sucesso um modelo de desenvolvimento económico. Mas tem autonomia para o fazer.
Este desfasamento, entre os poderes constitucionais das câmaras municipais e os requisitos de competitividade económica em contexto de globalização, justificam a maioria dos insucessos das políticas públicas para a manutenção demográfica em territórios de baixa densidade.

A criação das Comunidades Intermunicipais vem colmatar esta lacuna. Mas nem sempre os eleitos aos orgãos autárquicos aproveitam esta oportunidade para a definição das suas estratégias de desenvolvimento.

Frederico Lucas, coordenador do Programa Novos Povoadores

Wednesday, March 30, 2016

O Último Guardador de Cabras

Viaja-se na EN18 em direção a Castelo Branco. Nas proximidades de Alpedrinha, de vez em quando, somos surpreendidos por um fato de cabras. Ao escrever a palavra fato, esclareço que se trata de um conjunto de animais caprinos nas encostas da Serra da Gardunha, como aprendíamos na escola primária. Com tantas reformas e contra-reformas no ensino, talvez já não seja necessário saber o que é um cardume, um pombal, uma vara, uma manada…

Numa tarde soalheira de sábado, concluídas algumas diligências, marcamos encontro no território das pastagens das cabras. António Patrício Tinalhas recebe-me com muita cordialidade, tendo o cuidado de desligar o pequeno rádio portátil.

O nosso guardador de cabras tem raízes nos Enxames, mas nasceu na Fatela há sessenta e oito anos.
Cedo lhe colocaram um rebanho para acompanhar, muitas vezes à custa de faltar à escola. Apesar disso, ainda conseguiu exame da 4ª Classe no Fundão.
Na pastorícia andou, até ser incorporado no serviço militar, que iniciou em Leiria, passando por Castelo Branco e Extremoz durante três anos.
Regressado à vida civil, o pai confiou-lhe o rebanho e o trabalho agrícola, estimulando-o com um vencimento. Todavia, com um salário diário de sessenta e cinco escudos (as mulheres ganhavam vinte e cinco), não conseguiu ficar preso às tarefas do campo. Depressa arranjou passador e “saltou” para Toulouse em França.

Durante catorze anos, esteve ali emigrado, começando por trabalhar numa Fábrica de Curtumes, onde as peles de gado caprino chegavam do Norte de África: Argélia, Tunísia e Marrocos. Seguiu-se o desempenho da função de motorista numa empresa de telecomunicações e, por último, a elaboração de componentes automobilísticos.
Só tem a dizer bem dos tempos na França. No entanto, com os filhos em idade escolar, a entrada de Portugal na CEE e a expectativa de condições laborais e salariais idênticas às de França, decidiu regressar ao seu país natal. Hoje sente que se enganou.
Com as economias francesas, comprou uma casa de habitação e terrenos adjacentes, no Vale dos Clérigos, que recuperou com a implantação de pomares. Voltou novamente à pastorícia, tem essa vocação no seu ADN.

Estamos agora no meio da cabrada: “conheço-as como os dedos das minhas mãos, as mais velhas têm todas um nome: amarela, branca, formosa, cornuda, castelhana, mocha…Se me roubarem alguma sei localizá-la em qualquer local”. O tilintar dos chocalhos, património mundial, não pára e o olhar do Cão Nero, raça Serra da Estrela, está sempre atento a qualquer intruso: “É o meu amigo e companheiro nestas andanças.”
Afirma: “a gente arranja amizade com os animais, acompanhamos e lidamos com eles muitas vezes no dia-a-dia. Ás vezes reconheço que sou áspero, não devia sê-lo.” Todas obedecem ao seu “ ai, ai, ai, fora, fora, uá, uá, uá.”
Esclarece-me que guardar cabras é uma ciência em que se está sempre a aprender. A cabra é um animal inteligente, se faz uma asneira e é repreendida fica escaldada, não volta ao mesmo local tão depressa. A cabra berra ao morrer, mas nunca berra se tiver fome. A ovelha já faz o contrário.
Na proteção da natureza, são as melhores roçadoras das nossas florestas contra os fogos, além de não deixarem os folhedos no chão. Observamos alguns espaços onde não passam as cabras e lá estão silvados e arbustos a dificultar as passagens.
A cabra tem sempre tendência a ir para os pontos mais altos, sobe e nunca desce - tivemos essa experiência enquanto se tomava um café no Cerejal.
O nosso Homem, vendo a cabra lá no alto, desabafava: “Se faço contas, esta vida de pastor não compensa, é uma vida de prisão, difícil, não somos senhores do nosso tempo, não podemos ir a um funeral, a um convívio familiar ou de amigos. Aguento mais um ano, sou o último guardador de cabras de Alpedrinha.”

Texto de António Fernandes e fotografia de João Branco

Sunday, January 03, 2016

Interculturalidade: O fator chave do desenvolvimento



Somos os atores principais das nossas vidas.

A crise dos refugiados não deixa ninguém indiferente.
Tal como na tragédia do Titanic, alguns salva-vidas acolheram apenas metade da sua capacidade, e enquanto outros 1514 passageiros morreram congelados ao largo da Terra Nova.

Hoje, 100 anos depois, discutimos o acolhimento daqueles que fogem da guerra.
Somos europeus e vivemos na terra desejada para os sírios. E entre nós, existe quem tenha a ousadia de pensar que deveremos barrar essa entrada, atirando milhões de seres humanos para a morte.

Irónico.
Um continente em envelhecimento entende que não tem espaço para acolher quem nos pede auxilio.

Mais grave.
A História, para quem a conhece, revela que o desenvolvimento nasce na interculturalidade.
Charles Darwin explica que aqueles que melhor se adaptam aos novos contextos são os que têm maior probabilidade de sobrevivência.

A pena de morte foi abolida na Europa - excepção da Ditadura Lukashentina na República da Bielorrússia - mas diversos governos europeus continuam a marginalizar milhões de seres humanos que apelam por auxilio.

Ruralidade com futuro!
Para além do despovoamento, os territórios rurais na Europa têm recursos para acolher novos residentes.
Se esses residentes trouxerem novas competências, poderemos construir uma ruralidade com futuro: mais inclusiva, mais inovadora, mais efectiva.

O desafio está nas mãos daqueles que não se resignam ao papel de figurantes das suas vidas.

Monday, August 31, 2015

Ruralidade Moderna

As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost.
Isto já existe. Chama-se "Campo".



As cidades são a imagem do passado, os territórios rurais são espaços do futuro.
O Século XX ficará para a história como o limite na utilização dos recursos naturais.
Primeiro no campo, onde as indústrias altamente poluentes instalaram as suas unidades produtivas, depois as cidades que acolheram milhões de habitantes, sem avaliar a sustentabilidade dos recursos ambientais.

O consumo excessivo de água e a emissão de CO para a atmosfera estão a condenar o ambiente das áreas metropolitanas.
Quem tem condições para migrar para territórios mais saudáveis, acaba por faze-lo.

No Programa Novos Povoadores, o foco está nos serviços dos ecossistemas.
Procuramos oportunidades de negócio que geram valor, riqueza e postos de trabalho, em sintonia com a melhoria das condições desses recursos.
Não é possível mantêr o principio do “mal menor”: polui o ambiente mas cria emprego.
Hoje, é fundamental que crie emprego enquanto despolui o rio.
Não é uma utopia.
Hoje, há quem produza capas para telemóveis a partir dos residuos recolhidos de um rio, e quem constrói casas de madeira dentro de um processo de reflorestação.

A importância de criar valor não substitui a necessária melhoria dos ecossistemas, devido às gerações vindouras.
Precisamos de simbiose entre ambiente e economia, e não de uma relação de concorrência.
A imaginação é o limite.

Friday, August 07, 2015

Tecnologia, conectividade e novos modelos de trabalho

Parafraseando a publicidade daquela famosa marca de whisky, diria que o trabalho já não é o que era. Dir-me-ão que a mudança é constante e esta frase pode ser dita em qualquer momento histórico, com a mesma validade…Mas a novidade é que a “mudança” acelerou nas últimas décadas e tal é bem visível em quase todos os contextos de trabalho. Da minha parte, em pouco mais de década e meia de vida profissional, já trabalhei em sectores ditos mais conservadores (ex. na banca) e noutros que se catalogarão de inovadores (ex. na área da internet). Em todos assisti, em poucos anos, a transformações radicais nas formas de organização do trabalho e nos outputs desse mesmo trabalho – sempre com base na simplificação e na rapidez. Complementando este meu empirismo, num passado recente tive a oportunidade de ler 2 livros que marcaram de forma vincada o meu olhar sobre estas realidades e me ajudaram a estruturar algum pensamento…e, confesso, algumas convicções.

O primeiro foi o provocador “The 4-Hour Workweek”, livro com um título disruptivo e com um conteúdo que não lhe fica atrás. Timothy Ferriss, o autor, passou mais de cinco anos a aprender as práticas dos que ele designa como «novos ricos», pessoas com estilos de vida profissionais alternativos, que abandonaram os modelos clássicos de trabalho das 9h às 6h, para viver na plenitude tudo o que o dinheiro, as tecnologias e este novo mundo globalizado lhes permite. Estas experiências levaram-no a tornar-se especialista na utilização das novas “moedas” – tempo e mobilidade – para criar um estilo de vida sofisticado, de aprendizagem e desenvolvimento pessoal constante (por curiosidade, entre outras experiências, já foi professor em Princeton, campeão de kickboxing e especialista em tango). Para além deste appeal romântico para todos os que quem querem escapar à pressão do quotidiano, viajar mais e ter rendimentos tranquilos, também traz ensinamentos profissionais e de gestão “out-of-the-box”. Alguns exemplos:

- “gerir através da ausência”, com modelos bem definidos de delegação e autonomia das equipas;

- estruturar regras de tomada de decisão sequenciais, com a “automatização” das sub-partes dos processos;

- optimizar o tempo, cruzando a aplicação da regra de Pareto (80/20) ao dia-a-dia com a escala/ importância de cada projecto a que nos dedicamos;

- cultivar um mind-set de “informação selectiva”, de modo a não sermos submersos pelos muitos canais/ media a que somos expostos (dentro e fora da empresa);

- desenvolver a arte de “bloquear as interrupções”, colocando todo o foco na tarefa-chave.

O segundo foi o “Rework”, um livro de gestão diferente de qualquer outro que tenha lido. Por vezes, parece até advogar a “não gestão”, condenando muitos dos rituais que preenchem o nosso dia-a-dia empresarial. A sua palavra-chave é “simplificar”. Exemplos?

- não perder tempo com business plans ou orçamentos que não servem para quase nada ou estratégias a longo prazo que muito rapidamente ficam desactualizadas;

- não perder tempo com reuniões inúteis, sem agenda ou outputs definidos;

- não crescer, quando se consegue obter sucesso com uma estrutura pequena;

- não perder muito tempo a estudar ou tentar copiar a concorrência e aplicá-lo, antes, a criar produtos ou serviços únicos (com grande engagement dos consumidores);

- criar ofertas simples (mono-produto ou quase) e apostar em vitórias rápidas.

Os autores, Jason Fried e David Hansson são “evangelizadores” genuínos e vivem de acordo com estas máximas na sua empresa Basecamp (ex-37 Signals). Com os seus métodos revolucionários centrados na autonomia, na improvisação e na produtividade individual, são uma lufada de ar fresco no mundo da gestão.

Cada um à sua medida, estes livros refletem um novo paradigma: processos simples, foco no essencial, forte componente tecnológica que permite acelerar e controlar fluxos processuais/ de informação e, claro, uma conectividade constante entre profissionais e equipas – com vista a resultados optimizados.

Acredito pois que, a nível da gestão, três tendências se irão reforçar nos próximos anos:

- Processos de inovação: progressivamente afectuados por equipas multidisciplinares, em conexão constante, dispersas geograficamente, com inputs de clientes finais e parceiros, aproveitando o conhecimento de toda a cadeia de valor;

- Processos de análise e tomada de decisão: com ferramentas cada vez mais poderosas que sintetizem as variáveis-chave e métricas do negócio, permitam definir e analisar cenários, bem como gerir a performance e o risco;

- Processos de controlo: cada vez mais automatizados e em tempo real, com sistemas de indicadores e alertas, que permitirão a quem gere intervir com base na excepção, quando algo não está “conforme” com o processo;

E consequências para o dia-a-dia dos líderes executivos? Para começar, os processos de gestão terão maior celeridade. Dados consolidados em tempo real (big data optimizado por tecnologias de business intelligence e predictive analytics) permitirão tomadas de decisão mais sustentadas em factos e não em assumpções ou intuições. Por outro lado, serão mais colaborativos, com participação de diversos stakeholders (internos e externos) e com necessidade de uma atenção constante ao meio envolvente. A horizontalidade progressiva das organizações já permite uma maior visibilidade dos gestores sobre as diversas operações e reforçará o seu maior foco no engagement dos colaboradores e dos clientes. Vejo, neste contexto, que um CEO assuma, cada vez mais, papéis importantíssimos para os quais terá progressivamente mais tempo: analista e implementador da estratégia, guardião das relações com os stakeholders e sponsor da mudança e da inovação.

Estamos apenas no início…a revolução segue dentro de momentos.

in Revista Human, Carlos Sezões

Wednesday, August 05, 2015

Incubadora Florestal

Segundo o estudo da DEMOSPIN, coordenado pelo Prof Eduardo Anselmo de Castro, desde o Séc. XIX que existe em Portugal o “vale demográfico” nos territórios rurais: a população sai para as cidades entre os 20 e 30 anos, para regressar dez anos mais tarde.
É assim há 200 anos.

Fará sentido quebrar esse “vale”, quando essa migração é tão importante para a experiência de vida desses jovens?
Como é que poderemos substituir uma experiência em cidades como Lisboa, Porto, Londres, Paris, Genébra ou Zurich?

Em Vila Pouca de Aguiar está a ser desenvolvida uma incubadora temática para a área florestal: Aguiar Nature
Naquele pequeno espaço, estarão representados os players internacionais dessa fileira, com destaque para produtores florestais, empresas de sistemas de detenção precoce de incêndios, Universidades europeias de Arquitectura ligadas à construção em madeira, para além das empresas da região correlacionadas com este sector.

Uma das contra partidas destas parcerias é a recepção de empreendedores incubados nos centros de desenvolvimento destas empresas, espalhados pela Europa, onde os projectos dos jovens aguiarenses serão analisados e discutidos.

Não sei se esta iniciativa será suficiente para que os jovens do Alto Tâmega optem por se instalar nesta incubadora, em oposição a uma experiência migratória.
Mas a tentativa merece o registo.