As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Saturday, August 19, 2006

À beira dos limites

Este artigo, publicado hoje no Expresso, poderia bem ser o editorial deste blogue.

"OS SINAIS são visíveis de que o modelo de crescimento em que o mundo tem vivido desde a Revolução Industrial caminha para o seu colapso nos próximos 50 anos, se uma mudança de políticas não for seriamente implementada e mantida. O mundo arrisca-se a forçar os seus limites físicos. O que se passa hoje em torno do pico do petróleo é um exemplo, face à emergência de potências económicas populosas que se transformaram de «pigmeus» no consumo de energia em máquinas «energívoras». O disparo do número e impacto dos desastres naturais ocorridos anualmente é outro aviso. Em menos de 20 anos poderá ser a vez da produção total alimentar atingir o seu pico. As tendências desenhadas em Limites ao Crescimento, o relatório do Clube de Roma de 1972, consideradas na altura catastrofistas e insensatas, parecem mais realistas do que nunca, recorda o economista Dennis Meadows, um dos seus autores.

«Infelizmente o mundo tem-se movido pelos caminhos dos nossos piores cenários de então. É ainda cedo para julgar a 100% se estávamos certos ou errados nas principais conclusões que tirámos em 1972, pois nenhuma das nossas projecções mostrava paragem do crescimento antes do período 2030-2050. Mas os sinais estão diante de nós», refere ao EXPRESSO Dennis Meadows, 64 anos, que confessa estar hoje mais pessimista do que há 34 anos atrás. «Enfrentamos o risco de uma série de picos. Na altura, não especificámos o caso do petróleo. Mas é um bom exemplo de um importante limite. Também não referimos o caso do gás natural, que poderá atingir o seu pico daqui a 20 anos, pelo que não é uma solução de longo prazo», adianta. O preço alto de algumas «commodities» e as guerras pelos recursos e pontos logísticos estratégicos começam a ser hoje «reguladores» à bruta desse desequilíbrio estrutural.

O relatório de 1972 baseou-se num modelo computacional - baptizado de «World3» - inspirado na teoria da dinâmica de sistemas de Jay Forrester, o cientista do Massachusetts Institute of Technology (MIT) que influenciou o grupo de quatro jovens investigadores em que participava Dennis, a sua mulher Donella (já falecida, e a quem se atribui a liderança do projecto), Jorgen Randers e William Behrens. O modelo originou 12 cenários que traziam uma mensagem clara: «As tendências actuais de crescimento não são sustentáveis. A população global e a actividade económica crescem de um modo exponencial que levará a ultrapassar os limites físicos dos recursos, que são finitos». A equipa do MIT não poderia sequer imaginar os efeitos do que viria a acontecer anos depois - a gestão política do petróleo, o início das reformas económicas na China em 1978, o colapso da União Soviética e a abertura a um novo alargamento da economia de mercado no mundo e a mudança de política económica na Índia em 1991.

Esta dinâmica de stresse sobre os recursos, se não for invertida, terá efeitos económicos dramáticos duráveis. «É um ciclo que se auto-alimenta», conclui Dennis Meadows."


In EXPRESSO, Jorge Nascimento Rodrigues

5 comments:

nefertiti said...

quais são as soluções? O quadro parece-me bem negro! Preocupante!

nefertiti said...

ou seja, que tipo de políticas poderão mudar este panorama?

Frederico said...

:-)

Reconheces que a tua pergunta é tudo menos fácil?

Achaste que seria capaz de a responder?

Posso dizer-te apenas o que eu fiz: Passei a andar de intercidades (package intercidades + Rent a car AVIS), reduzindo a kilometragem anual para 15.000 kms (versus 70.000).
Deixei de estar 22 dias por mês em Lisboa para estar apenas 4.
O sistema de aquecimento da minha casa deixou de ser gás natural e passou para acumuladores de calor.

Agora estou empenhado em reduzir o consumo de água e a implementar a separação de residuos.

E que me lembre é tudo.

Em sintese, se todos nos empenharmos em reduzir o consumo de recursos, o mundo ganha com isso. As iniciativas começam em nós.

Maria said...

:-)
Não posso estar mais de acordo.
Começa em nós.
A transformação dos homens.
A criação do Homem Novo.
A transformação do Mundo.
E isto leva-nos muito mais longe do que a simples redução dos recursos naturais...

Frederico said...

:-
Como sabes estou de férias.
Retomaremos este assunto quando voltar de férias.


Frederico

PS: Já respondi à tua questão sobre agricultura biológica.


Um beijo