As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Saturday, April 21, 2007

Mentalidades que promovem a interioridade

É com o maior dos gostos que começo a minha colaboração neste blog. Isto porque este blog versa sobre uma temática que me fascina e pela qual acho que passa a evolução da sociedade, apostar na inclusão, nomeadamente através da inovação, seja ela tecnológica, de métodos, ou simplesmente de mentalidades.

Para abrir as hostilidades, vou contar uma história, pois estas ajudam a quebrar o gelo ... Na passada semana tive uma entrevista de emprego. Sempre tive pequenos empregos o que me leva a não aspirar a um mundo cor-de-rosa, mas como qualquer recém-licenciado ainda cultivo em mim a esperança que o mundo profissional possa ser algo íntegro, motivador e compensador, mas esta entrevista veio esclarecer-me que o preto domina sobre outras tonalidades.

A entrevistadora cumprimentou-me com uma pergunta sobre qual era a minha licenciatura, ao que respondi Marketing, ela retribuiu com a seguinte tirada: "bem então é mais um para o desemprego". Esta foi uma de muitas pérolas, como por exemplo," actualmente os trabalhadores para serem rentáveis têm de trabalhar por pessoa e meia e com ordenados ajustados à crise", boa fórmula não? pessoa e meia por meio ordenado.
Para nos situarmos não estamos a falar de alguém caquéctico um dinossauro desajustado da realidade, esta senhora está na casa dos trinta e alguns anos e é a responsável no Interior do país de uma empresa com nome no mercado, detentora de várias representações espalhadas pelo país. No desenrolar da entrevista, pergunta-me o que acho da agressividade actual dos mercados? Eu respondi que é a evolução natural da concorrência, mas a agressividade não deve ser desregrada, existe um grupo de valores que têm de ser respeitado (meio ambiente, inclusão social, direitos humanos, integridade, ...) ... então a senhora iluminou-me dizendo que o meu curso não me tinha preparado, números, tudo são números e a busca de motivação nas empresas é apenas um motivo para escrever livros.
Já tendo desistido de lutar por tal trabalho, apenas me restou lutar pelas minhas crenças, e foi o que fiz quando me perguntou o que era vender. Rapidamente e ritmadamente, expus o meu conceito de venda. Vender não deve ser sinónimo de enganar, qualquer venda deve ser concebida a longo prazo, as necessidades dos clientes devem ser a pedra basilar da oferta e acima de tudo temos de ser profissionais e honrar a palavra. Novamente fui esclarecido que a minha formação foi desadequada, para vender vale tudo, enganar, iludir, usar subterfúgios, criticar a concorrência ao invés de valorizar internamente.
O porque desta história neste blog, porque esta senhora é responsável por todo Interior??? É este o tipico administrador de empresas no interior, promove o jogo do vale tudo. Tentam encher os bolsos à conta de todos, e praticam uma escravatura encapotada sobre o nome de crise relativamente aos seus colaboradores.
Sendo assim é natural que a interioridade subsista à inclusão.
Desculpem o desabafo, mas esta é um dos aspectos principais que penso ser necessário inovar, para permitir a inclusão e evolução de todo o país. Se acharem que estou errado, por favor informem pode ser que pense pedir uma indemnização aos meus professores.

9 comments:

CHEVALIER DE PAS said...

Meu caro Francisco,
Pois fique sabendo que não é só no interior que tal se passa, e para lhe provar, vou-lhe contar uma história.
Quando acabei o curso sempre quis saber como é que funcionava um banco, não trabalhar num banco, não sei se já reparou mas os funcionários dos bancos são todos atrofiados das ideias, porque estão limitadíssimos no seu trabalho, apenas preenchem papeis e vendem produtos, e à parte do vender já lá irei. Como estava a dizer queria saber como funcionava, concorri aos bancos todos, fiz provas no extinto BNU e acabei por entrar no BPI, devo-lhe dizer que o processo de selecção decorreu em várias fases, e na penúltima foi com um psicologo, devo-lhe dizer que foi uma conversa hilariante, porque eu falava uma coisa e ele outra, como é que foi possível o homem ter-me escolhido ainda estou para perceber, mas isso é outra história, adiante, olhe eu queria tanto aquilo, que a última fase era entrevista com o director de área, este senhor que era uma simpatia de pessoa, telefonou-me e marcou a entrevista, disse que sim, mas como eu queria tanto aquilo, não apareci, o senhor insistente e boa pessoa que era voltou-me a ligar, devo dizer que me desarmou a atitude dele, para mais vinda de um bancário, mas era de outra estirpe, já se aposentou há vários anos. Bom perante a atitude do senhor inventei que tinha tido um furo quando ía para a entrevista, o senhor gostou tanto de mim, que me tornei bancária, para meu desgosto!
Depois acabei por gostar de ter feito o estágio, não da parte do trabalho, mas porque tinhamos formação no Porto e como eram vários grupos acabou por ser engraçado, e passei a conhecer melhor o Porto.
Relativamente ao trabalho que é o que interessa, digo-lhe que no sector bancário não há escrúpulos de qualquer espécie, os funcionários nos balcões, as gerências dos balcões são tão massacradas pelas direcções para vender, vender, vender, a qualquer preço, as pessoas funcionam com um esquema de objectivos que as põe cegas, eu vi, eu assisti, colegas de trabalho estarem a vender PPR e outros produtos com risco elevado a pessoas que nem sequer sabem o que isso é, pessoas de 70 e mais anos, que nunca na sua vida vão entender que ao aplicar as suas magras poupanças de reformas de miséria, mas que ainda assim conseguem poupar, porque se privam de tudo, em produtos onde poderão perder dinheiro! E sabe o que se fazia quando isso acontecia? ou seja, quando essas pessoas se dirigiam ao banco para saberem quanto já tinha valorizado a sua poupança? O funcionário ía ver quanto é que aquela pessoa tinha aplicado, se a pessoa estivesse a perder dinheiro, agora não estou a par, mas na altura, muitas pessoas perderam dinheiro, o funcionário do banco dizia que estava sem sistema e não conseguia dar-lhe a informação para passar noutro dia, porque o que interessou ao bancário foi vender para cumprir os objectivos porque se os atingir tem mais um ordenado trimestralmente, e portanto vale tudo! E eu já vi vender de tudo nos bancos! Nem que para isso se fique a trabalhar até às tantas a telefonar para casa das pessoas para vender cartões de crédito, para vender o seu próprio massacre a que estão sujeitos pelas direcções.
Claro está que no final do estágio só me queria ver dali para fora, tinha contrato para ficar mas recusei, à conta disto fiquei ano e meio desempregada e sem subsídio de desemprego, mas ainda não me arrenpendi!
Esta história podia-se alongar mas o espaço não é muito!
Isto é uma selva!

CHEVALIER DE PAS said...

Não pretendi ofender a classe, aliás, sabem muito bem que a realidade é esta, e agora, talvez pior!

Humberto Neves said...

Francisco. Procure aquilo em que acredita, e não desista nem à primeira, nem à segunda nem à terceira. Também lhe posso fizer que ser íntegro neste mundo de negócios custa muito, é não se trata apenas de dinheiro.
Em abono da verdade e da credibilidade empresarial, a informação sobre esses casos deviam ser divulgados de forma estruturada. Alías até seria interessante encontrar (ou desenvolver) um site à semelhança do que está feito em TopTen para valorizar os casos positvos, mas ao contrário.
Estas "cenas" mexem com os meus valores, e farei tudo para falar verdade acerca das empresas que não têm valores nem integridade, e valorizar aquelas que merecem respeito pelo trabalho que desenvolvem. Eu sei que por vezes a imagem de uma empresa é transmitida de forma errada por uma pessoa errada na empresa, mas no seu caso estamos a falar de uma responsável ao que parece com alguma força.

Se o Francisco tivesse perguntado à entrevistadora: "Qual é o objectivo da sua empresa ?" tenho sérias dúvidas que ela responderia "Maximizar os lucros". Antes, iria deambular numa missão simpática e estratégica que sustenta os valores da empresa. Aliás é curioso porque tenho um colega a desenvovler uma tese exactmente nesta questão de, até que ponto as declaração de missão, valores e responsabilidade social têm tradução na prática e nas operações das empresas portuguesas, e os resultados são algo desastrosos.

A formação e partilha de conhecimento do cliente, do utilizador e do trabalhador é uma força que deve ser utilizada. Já que se falou em bancos envio aqui o link de um post sobre o Cooperative Bank , um banco especial.

Ciao
Humberto

al cardoso said...

Nao nao esta errado, mas infelizmente esta mentalidade do vale tudo, parece estar a apoderar-se das mentes de muita gente.
E por isso necessario inovar, principalmente a mente de muita gente!

Um abraco de solidariedade deste d'Algodres.

Francisco Silva said...

Estou muito agradecido a todos pelo o apoio e é inspirador como apesar de tudo há pessoas que não desistem de fazer algo mais.

Virem a um blog dar uma palavra de apoio a alguém que se calhar até era demasiado sonhador, é algo que me marca e retiro que vale a pena sonhar, porque não estamos sós nesta luta.

Atitude, mudança, inovação venham elas e os maus preparem-se :)

Aristócles, o dos ombros largos said...

Parece-me haver três abordagens alternativas:
- manter os princípios e fazer de missionário, tentando mudar o mundo (a mais nobre das 3);
- converter-se aos valores do mundo (a mais pragmática e que aumenta as probabilidades de sucesso na carreira);
- manter os valores, sabendo que se é diferente e até apontado a dedo, mas desistindo de mudar o mundo (todo, pelo menos).
Digo isto sem cinismo, acredite.

abc,

Aristócles, o dos ombros largos

Sea Spirit said...

Caro Francisco, sabe bem que não está sozinho :-)

Penso que esta é uma situação comum, infelizmente! Acho que a maioria já passou pelo mesmo, salvo raras e afortunadas excepções.

Ser missionário a vida inteira...é dificil, a vocação tem que ser muito forte :-)

Eu cá prefiro manter os valores, sabendo que sou diferente, mas desistindo de mudar o mundo. Apenas dou o meu pequeno contributo, quando posso!!

Frei Tomás said...
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Frei Tomás said...

Bem, tinha escrito um comentário bem maior, mas como esta coisa do "word verification" deu nega e comeu o meu comentário, agora vou ser mais sintético.

Caro Francisco,

Há um professor, pelo menos, a quem, acredito, não se atreveria a pedir indemnização.

A senhora é uma inovadora nata, senão veja: O que ela está a promover é altamente inovar e pode ser denominadao "evolução nunca vista da espécie humana" de Homo Sapiens para camaleão.

Mas para que a senhora não fique com má impressão dos seus professores, o melhor mesmo é envia-la ao mosteiro para que lhe seja ensinado o evangelho com a cartilha dela, pode ser que no final até goste, mas que a penitência lhe vai doer e muito, isso lhe este nobre frade.

E como digo o ditado:

"Faz como Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz!"