As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Sunday, July 26, 2009

"Somos muito maiores que a nossa dimensão!"


A frase que emprestou o título a este post é da autoria de Luís Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros e referia-se à capacidade de intervenção de Portugal no panorama internacional.

Defendia o governante que a nossa cultura e história funcionam como catalizadores nos quadros negociais das diferentes organizações em que participamos.

A reflexão que se segue é sobre os novos factores de competitividade económica. Sabemos que não são exactamente os mesmos que no passado: O poder militar, industrial e financeiro continuam centrais, mas já não absolutistas.

Hoje, o povo português é admirado pela sua simpatia, tolerância religiosa e por um território seguro e com excelentes condições climatéricas.

Na prática, temos todas as condições para ser o El Dorado da mão de obra qualificada que estão suportadas nas tecnologias digitais.

E esse é um motivo de enorme esperança!

As empresas caminham para sedes virtuais - nespresso.com e brother.com são dois exemplos que me ocorreram instantaneamente - e os sistemas de teleconferencia estão totalmente vulgarizados.

O que nos falta?!

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Saturday, July 18, 2009

O modelo de negócio móvel: factores para o sucesso futuro

Novos concorrentes nas áreas dos Media e da Internet têm cruzado as fronteiras que os separavam das telecomunicações, afectando os modelos de negócio tradicionais e reduzindo a margem de manobra dos incumbentes. Pensar de forma...

Novos concorrentes nas áreas dos Media e da Internet têm cruzado as fronteiras que os separavam das telecomunicações, afectando os modelos de negócio tradicionais e reduzindo a margem de manobra dos incumbentes. Pensar de forma orientada ao consumidor pode ser a chave para um alto desempenho na indústria das telecomunicações móveis.

Em dez anos, a indústria de telecomunicações móveis cresceu mais de dez vezes, com base em novas tecnologias, dispositivos e em serviços mais rápidos e inovadores. Actualmente, vive um clima de incerteza em relação ao futuro, caracterizado por concorrência generalizada e menores receitas médias por utilizador. A inexistência de um caminho de evolução claro propiciou o surgimento de novos "players" na área dos Media e da Internet, que ameaçam o modelo de negócio existente.

A realidade tem passado pelo mercado de voz e "messaging" e por uma incapacidade no domínio da Internet como gerador de valor, que forçaram os operadores a privilegiar tácticas de curto prazo para manter o crescimento, como sejam o ajuste de "pricing" para aumentar as receitas, ou o enfoque na captura de clientes a rivais, através de tarifários e/ou equipamentos apelativos. Num mercado amadurecido, estas tácticas não são sustentáveis; o máximo que se poderá ambicionar com elas são receitas incrementais adicionais suficientes para cobrir os custos.

Os novos "players" estão a capturar valor na convergência das indústrias de Media, telecomunicações e de Internet, e os operadores de telecomunicações, que dominam o acesso às infra-estruturas de rede, necessitam de promover uma reflexão sobre a indústria, sob o risco de se tornarem meros transmissores de sinal.

É necessário por isso encontrar e aprender rapidamente novas formas e territórios onde o êxito seja possível. Para além de permanecerem atentos às movimentações tecnológicas, devem procurar antecipar quais as alterações no modelo de negócio que um processo deste âmbito poderá gerar.

Na Accenture identificámos um conjunto de pistas para o êxito futuro das organizações pertencentes a este mercado, que qualificámos como factores de sucesso.

Inovar através da perspectiva dos consumidores
Um dos factores-chave para o sucesso consistirá na utilização da visão do cliente para promover a inovação, garantindo o desenvolvimento de produtos e serviços com maior probabilidade de procura. As empresas, ao desenvolverem soluções (por exemplo "machine-to-machine" como serviços mais eficientes para o transporte de mercadorias, gestão de frotas), deverão perspectivar o que estas representam para os clientes e qual a vantagem competitiva que originam.

Alavancar a experiência do consumidor
O enfoque no consumidor exige também a interpretação dos ciclos de experiência de utilização dos produtos e serviços. Assumindo a satisfação do cliente como a soma do conjunto de todas as experiências (e.g. produtos, serviços) com o conjunto de todas as expectativas (e.g. valores, comportamentos), algumas tendências de procura relevantes são: simplicidade, conveniência e usabilidade no produto (oferta de conteúdo de fácil utilização), transparência no "pricing" (controlo e simplicidade nos preços), controlo sobre conteúdo (abertura dos "walled gardens" através do acesso, sem restrições a conteúdos).

Desenvolver a capacidade de adaptação às necessidades dos consumidores
As ofertas de serviços são cada vez mais orientadas para um grande número de pequenos segmentos de consumidores, com pacotes diferenciados. É o modelo de distribuição "Long Tail", onde o mercado de produtos pouco populares é superior ao dos grandes êxitos (exemplos são a Amazon ou a Netflix).

Estes segmentos de consumidores são comunidades de interesses mútuos que para além de consumirem conteúdos, também os criam e partilham. As empresas de telecomunicações necessitam de interiorizar este conceito e dirigir as suas ofertas para esses "clusters" de indivíduos.

Conjugando o conceito de comunidades com o de "portal social", os operadores deparam-se com desafios para explorar os limites da tecnologia disponível, ampliando as suas ofertas com "user generated content" como blogues, "video-based services" (e.g. alojamento de vídeos, "mobile TV"), entre outros.

Procurar valor na agregação, alavancagem de inovação e eficiência
As empresas de telecomunicações deverão conseguir operar de forma eficiente nos mercados. A eficiência nas operações facilita o sucesso no "mass market", enquanto a inovação irá apelar aos mercados "high end".

A eficiência operacional deverá partir de uma alteração da visão dos indicadores de "performance" tradicionais, dando prioridade ao custo de servir um consumidor individual.

Quantos mais forem os serviços utilizados pelo cliente, maiores serão os custos de produção, comercialização e operação. Isso implicará revisitar processos de desenvolvimento para reduzir o custo de "ownership" e proteger o investimento. Os novos "players" conseguem-no e, ao expandirem os seus modelos de negócio, utilizam naturalmente estes conceitos na tomada de decisão. A redução do custo final do iPhone, dado que o utilizador é cliente do iTunes e potencial comprador de acessórios e serviços Apple, é disso exemplo.

Os operadores de telecomunicações têm vantagens competitivas que não devem ser subestimadas (tecnologia instalada e capacidade "core" do negócio), e, ao repensar a estratégia de inovação e de enfoque no cliente de telecomunicações, poderão chegar efectivamente a um alto desempenho, apesar do conturbado ambiente, num futuro próximo, das telecomunicações móveis.


* Em colaboração com Daniel Fernandes, "Analyst" da Accenture da área de Estratégia, na divisão de "Management Consulting"

"Senior Manager" da Accenture
da área de Estratégia na divisão de "Management Consulting"

in Jornal de Negócios, Emanuel Agostinho

Monday, July 13, 2009

Aldeias Globais




No mundo de hoje todas as empresas já foram afectadas, directamente ou indirectamente, pela globalização. A cada dia que passa, a “aldeia global” torna-se mais pequena. Essa realidade é desagradável para quem deseja estar isolado, mas nas aldeias, quer se queira ou não, ninguém vive sozinho. Todos influenciam todos.

Para os solitários estar numa aldeia é demasiada exposição, mas para as empresas viver nesse ambiente amplifica de uma forma extraordinária as oportunidades de negócio. Utilizando as ferramentas que as novas tecnologias de informação e comunicação oferecem, o mercado potencial aumenta e as distâncias tornam-se quase irrelevantes.

Portugal em muitas actividades sempre teve um problema de escala. Na aldeia global, o mercado não tem limites. Existem produtos e serviços, e existem clientes nos quatro cantos do mundo, individuais ou empresas, à procura de satisfazer as suas necessidades.

Por outro lado, a dimensão de uma empresa também deixou de ser uma condicionante e procurar parcerias tornou-se uma constante da vida.

São cada vez mais os exemplos que mostram que o mundo está a mudar e que os pequenos também podem ser grandes, com perseverança, criatividade e assegurando uma qualidade de serviço elevada.

Sítios de leilões na Internet mostram que existem nichos de mercado que podem ser preenchidos com produtos específicos e que asseguram a médio prazo rendimentos que permitem gerir um negócio a partir de casa, por exemplo. O produto pode vir do estrangeiro, o marketing é feito a partir de Portugal e a encomenda é enviada para qualquer canto do mundo.

Como em qualquer negócio, um estudo de mercado recomenda-se, mas o investimento para entrar em “jogo” é quase nulo. Todos os “jogadores” e informações estão na internet. Actualmente, uma simples e pequena loja de aldeia pode tornar-se global vendendo através da Internet, inovando nos produtos que oferece aos clientes. Há muita gente na Internet a ganhar a vida a vender sabonetes, bonecas de pano, sacos de lona reciclados ou roupa para criança. A receita é “simples”: Produtos específicos, orientados para nichos de mercado, vendidos à escala global, usando as plataformas de transporte e pagamento existentes no mercado e aceites por todos. É óbvio que a internet não cria excentricos todos os dias. Fazer negócios pela internet exige trabalho, pesquisa e paciência, tal como qualquer forma de negócio. No entanto, abre portas e tem potencialidades que vão muito para além do comércio tradicional. No saber aproveitar, pode estar um verdadeiro ganho.

in arrudatech