As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Sunday, May 30, 2010

Cidades Inteligentes

1. Quando, há um par de meses li Quente, Plano e Cheio (Thomas L. Friedman, Actual Editora) e, da pág 230 à pag. 242, li “como é que seria realmente viver numa revolução verde no ano 20 E.C.E – Era do Clima e da Energia”, pensei estar a ler a nossa nova utopia.

Enganei-me. Aquilo a que Friedman chama a “Internet da Energia” está aí, sob o nome menos futurista de “Smart Grids” ou “Redes Inteligentes”.

O Governo Australiano (por exemplo) lançou, em Outubro de 2009, a iniciativa “Smart Grids, Smart Cities” (Redes Inteligentes, Cidades Inteligentes, Uma Nova Direcção para Uma Nova Era da Energia) com quatro grandes objectivos: redução de custos e da conta dos consumidores, acesso a uma rede e a energia mais fiável e de qualidade, habituação e participação dos consumidores numa redução efectiva de emissões de carbono e incremento da eficiência energética e das energias renováveis, “empowerment” (capacidade de decisão) dos consumidores e mais transparência nas suas escolhas.

(Em Évora a EDP instalou o chamado “contador inteligente”, num projecto piloto…)


2. “Smart Cities” está hoje a entrar no vocabulário político, nas políticas europeias, nacionais e das cidades.

Cidade Inteligente pode ser aquilo que se é, com graus e em patamares diferentes. Mas mais importante: Cidade Inteligente é aquilo que se deve querer ser. Este conceito assenta em seis eixos centrais:

- “Economia Inteligente”- (competitividade): espírito inovador, espírito empresarial e empreendedor, capacidade de transformação

- “Pessoas Inteligentes” : qualificação, disposição para aprendizagem ao longo da vida, pluralismo cultural, social, étnico, criatividade, cosmopolitismo (“open mind”), participação na vida pública.

- “Governância Inteligente”: transparência e participação nos processos de decisão, existência de estratégias públicas, …

- “Mobilidade inteligente”: acessibilidades locais e internacionais, transportes públicos seguros, sustentáveis e inovadores

- “Ambiente Inteligente”: atractividade das condições naturais e protecção ambiental, gestão ambiental sustentável, …

- “Vivência Inteligente”: equipamentos culturais, equipamentos educativos, condições de saúde, segurança individual, coesão social…


3. O nosso distrito é um distrito assente numa rede de cidades bem interessantes e, em conjunto, de grande potencial.

Parcerias para Redes Inteligentes, Cidades Inteligentes, precisam-se.

Para uma nova geração de políticas de cidade.

in O Ribatejo, Nelson Carvalho

Friday, May 14, 2010

Regresso ao Campo




Como é a vida dos neo-rurais portugueses? Porque se decide ir viver para o campo?... Um documentário de Paulo Silva Costa, na RTP1

João Carvalho viveu onze anos em Londres. Teve êxito, mas fartou-se do frenesim citadino e dos horários das 9 às 5.

Optou por uma existência mais simples. Veio viver com a mulher e o filho recém-nascido para uma casa abandonada que descobriu através da internet e que comprou na Benfeita, em Arganil

Está a reconstruir a casa pelas suas próprias mãos. Só usa ferramentas manuais, e o mínimo de cimento ou de combustíveis fósseis.

O casal é vegetariano. Por isso, quando chega a hora de almoço, a mulher, Claire, tem apenas de descer às hortas abandonadas mais próximas para colher a próxima refeição. Também já fizeram vinho e cinquenta litros de azeite.

João desistiu propositadamente de uma vida com torradeiras e aquecimento eléctrico. Podia tê-la sem dificuldade, mas quer "viver com menos", como diz.



Claire e João são um exemplo de um grupo de novos rurais com crescente implantação nalguns partes esquecidas de Portugal, como é o caso da serra da Lousã ou do barrocal algarvio.

Os primeiros destes neo-rurais eram estrangeiros. Vinham de uma Europa Central então ameaçada por Chernobyl, à procura do últimos redutos naturais do Continente. Este movimento da populacão iniciou-se de resto já há décadas na Europa, mas só há pouco tempo ganhou alguma relevância social em Portugal.

Por cá, desde os anos quarenta do século passado que as migrações eram em direcção às cidades. Foi este êxodo rural que transformou Portugal num pais macrocéfalo, com um interior cada vez mais desertificado e a população concentrada no Litoral e sobretudo na área da Grande Lisboa.

"As pessoas abandonaram as áreas rurais e foram para as cidades à procura de trabalhos menos duros fisicamente, com remunerações mais elevadas ou pelo menos mais regulares, e à procura de melhores oportunidades para os filhos" - explica a geógrafa Teresa Alves, professora do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa.

Ir para a cidade era então visto como uma ascensão social, qualquer que fôsse a vida das pessoas lá.

Mas o mundo rural mudou muito nos últimos trinta anos. Os tractores substituiram o trabalho braçal, e os subsídios comunitários tornaram mais fácil viver no campo. Hoje em todo o lado há supermercados, a toda a parte se chega num instante graças às auto-estradas, e a internet tornou possível viver no campo mas trabalhar em funções que outrora só na cidade se podiam exercer.

Valorizaram-se também socialmente modos de vida desprezados num passado recente. E iniciou-se outra migração interna, a mudança para o campo dos ex-citadinos...



Agora, os geógrafos até já distinguem diferentes grupos destes "neo- rurais": há os que partem por motivação ecológica, os que na reforma regressam à terra natal, aqueles que se dedicam ao teletrabalho, e até os desempregados por causa da crise...

São algumas dessas pessoas que fizeram a opção de ir viver para o campo que o documentário vai encontrar.

Contata-se que os novos rurais portugueses são muitas vezes os netos ou os filhos dos que partiram para as cidades no século passado. Querem mudar de vida, tal como os seus pais e avós, mas têm outros valores.

"Valorizam o seu próprio tempo e modos de vida mais solidários" - conclui Teresa Alves - "e vão á procura de actividades em equilíbrio com a natureza. Também são pessoas que têm uma cultura de território, e que buscam um lugar específico onde possam ser felizes".

Um documentário de Paulo Silva Costa, com imagem de Rui Lima Matos, genérico de Pedro Cerqueira, edição de João Gama, sonorização de Luís Mateus e produção de João Barrigana.

Estreia na RTP1, 17 de Abril, às 21h15m.

52 min, © RTP 2010

Saturday, May 08, 2010

Projecto Pé de Fé: Transformar a passadeira vermelha numa causa social




Com a visita do Papa Bento XVI a Portugal, um grupo de pessoas decidiu perpetuar a memória da visita criando registos a partir de pequenos quadrados da alcatifa utilizada nas cerimónias oficiais.

E alguém se lembrou de associar essa ideia a uma causa social.

Vender os pequenos quadrados da alcatifa utilizada nas cerimónias oficiais e utilizar os lucros da operação para apoiar projectos sociais. Ajudando pessoas carenciadas a ter um tecto, roupa, comida, cuidados básicos de saúde… A minorar a dor dos que sofrem, dos que se sentem mais sós.

Catarina Holstein, professora da Universidade Católica Portuguesa, propôs a João Albuquerque e Ana Perestrello, alunos daquela universidade, que fossem coordenadores de toda a operação.

A adesão de vários parceiros a esta causa social foi imediata, contando com o apoio pro-bono das entidades que venham a associar-se a esta iniciativa.

No desenrolar deste projecto surgiu a ideia de criar a marca “Pé de Fé”.

Os resultados obtidos através da distribuição dos registos “Pé de Fé” vão ser usados para apoiar projectos de empreendedorismo e inclusão social, com a supervisão do Instituto de Empreendedorismo Social.

Para que isto seja possível e se torne realidade são necessárias pessoas para ajudar a PROMOVER, PRODUZIR e DISTRIBUIR ou para contribuírem com os seus donativos.

Projectos como este são a prova de que todos juntos vamos mais longe e de que existem pessoas capazes e disponíveis na nossa sociedade para ajudar quem mais precisa.

Equipa, Parceiros e Apoios

· Ana Perestrello

· Miguel Castelo Branco

· João Albuquerque (na foto)

· Leonor Gomes

· Manuel Forjaz

· Miguel Alves Martins

· Miguel Bragança

· Nuno Gonzaga

· Susana Ferreira

· Teresa Seabra Pereira

Entidades

· Easy Bus/Grupo Barraqueiro

· Euro RSCG Design

· Hero

· Ideiateca Consultores

· Instituto de Empreendedorismo Social

· Transporta

Toda a iniciativa está detalhadamente exposta neste blog onde pode ser acompanhada, com total transparência, toda a gestão do projecto.

Em caso de dúvida, DISPONIBILIDADE ou AJUDA envie um mail: registo.pedefe@gmail.com