As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Tuesday, December 28, 2010

Portela: 14.000.000 Passageiros

O Aeroporto da Portela acaba de atingir a marca dos 14.000.000 de passageiros anuais, pela primeira vez na sua história.

Para isso muito contribuiu a estratégia de abrir esse aeroporto às LowCost, passo inevitavel nos novos modelos de dinamização do transporte aéreo nas capitais europeias.

Ao contrário de Londres, que separa o seu tráfego aéreo por vários aeroportos, Lisboa e Madrid concentram na mesma infra estrutura as companhias de bandeira e as LowCost.

Trata-se de uma solução mais onerosa na construção mas com algumas economias operacionais para as companhias aéreas.

Em Portugal, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro concluiu a sua remodelação em 2006, sendo hoje uma referência europeia nos indíces de conforto ao passageiro.

Com um investimento total de 500M euros, 10% do valor previsto para o Novo Aeroporto de Alcochete, este aeroporto comportará 6,5M passageiros anuais.

Sunday, December 12, 2010

Economia DNS: Nova Perspectiva Territorial

Hoje as organizações têm um endereço web e os seus colaboradores vivem onde mais lhes interessar.

São centenas de estórias que já escutei de instaladores residenciais de internet que andaram no sul e no norte do nosso país a instalar a internet em casas de grandes “carolas”, isto é, investigadores e empresários que operam virtualmente em Londres, Dubai ou Frankfurt conciliando essa actividade com a residência num país acolhedor e solarengo como é Portugal.
Aqui vivem, aqui educam os seus filhos, aqui pagam impostos, aqui consomem, aqui adquirem as suas casas.
Mas se recebermos destes um cartão de visita, teremos uma morada postal e um telefone do mercado onde operam. E um endereço web que é o “head-office” empresarial!

E porque motivo escolheram estes pioneiros da Economia DNS o nosso país para viver?
Seremos a primeira Aldeia Global? Serão a nossa história, a nossa cultura e a nossa tolerância, os condimentos territoriais de um mundo que caminha para a rede?

Saturday, December 11, 2010

"Geração sem Rede" por @czorrinho

Pode parecer paradoxal mas não é! A geração que está agora a nascer, descendente directa da nova geração e maioritariamente descendente indirecta da minha geração, nasce num mundo conectado pelas redes mais potentes de transmissão de dados e de transporte de pessoas e mercadorias e no entanto nasce como uma geração sem rede!

Os nossos filhos que procuram comprar uma casa ou um bem patrimonial para o qual se exigem garantias, ainda podem em muitos casos beneficiar do papel de fiadores dos seus ascendentes, mas tal como a sociedade parece querer evoluir já dificilmente eles próprios poderão ser fiadores ou garantes dos investimentos dos seus filhos, ou seja da geração sem rede.

Já existiram ao longo da história muitas sociedades sem rede e sociedades com redes de betão para alguns (os titulares) e sem rede para a maioria. A verdade é que o mundo não acabou, mas os picos de iniquidade e de sofrimento foram muitos ao longo da história e está nas nossas mãos evitar que mais um desses picos surja em função da nossa inércia ou acomodação.

A nova geração vai ter que inventar uma nova sociedade em que os seus filhos se possam realizar e ser felizes. Eis um desafio forte que pode ser visto como uma ameaça, mas também como uma enorme oportunidade.

Aproximamo-nos dum tempo de reflexão, interrogação, partilha e renascimento. É esse o significado simbólico do Natal e do Novo Ano. É um tempo também para perceber que o egoísmo, o fechamento ou o lamento simples não conduzirá a nossa sociedade a nenhuma solução estimulante de reinvenção criativa.

A nova geração sem rede precisa que sejamos capazes, não de construirmos redomas para os nossos mais próximos, que a turbulência dos tempos se encarregará de quebrar, mas de renovar as bases da sociedade, aplicando os valores da equidade, da liberdade, da justiça, da solidariedade e da fraternidade ao novo mundo globalizado e competitivo em que vivemos.

Por esta altura das festas muitas famílias vivem as angústias da dádiva. Não da dádiva do amor que é gratuito e faz milagres, mas da dádiva das prendas. Uns vivem a angústia de querer dar e lhe escassear os recursos financeiros e outros vivem a angústia de não saber o que dar, tal é a parafernália de coisas a que os jovens com meios hoje acedem.

Pois deixem-me dizer-vos nesta crónica pré-natalícia, que para além das prendas que cada um entender e puder partilhar, há uma prenda essencial que devemos à geração sem rede. Devemos-lhe um mundo renovado, sustentável, fundado na confiança, na paz e no bem-estar.

Os modelos que criámos de capitalismo selvagem estão a dar o seu último estertor. A geração sem rede merece herança melhor. Este é o tempo de a preparar. Um tempo luminoso de desafio para os que forem à luta. Um tempo de trevas e frustração para os que desistirem.

in Fazer Acontecer, Carlos Zorrinho