As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Monday, November 19, 2012

"Sete propostas para Portugal"


Portugal tem de assumir um forte sentido de urgência em torno da inovação, pois dela dependerá não só a nossa capacidade competitiva, mas também a criação sustentada de emprego de qualidade e a coesão social.  

De acordo com a OCDE, em países como a Áustria, Finlândia, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos, a inovação foi responsável por três quartos do crescimento da produtividade do trabalho entre 1995 e 2006.

Reforçar o investimento na inovação é crítico para uma retoma sustentável. Como afirmou recentemente o presidente da Comissão Europeia Durão Barroso é necessária uma consolidação fiscal inteligente, isto é, manter ou reforçar os investimentos nestes domínios da inovação, investigação e educação, mesmo no atual contexto. A Alemanha é porventura o melhor exemplo dessa abordagem: apesar de ter adotado um severo programa de redução da despesa pública (com o objetivo de reduzir o défice público para 2,5% do PIB ainda este ano), decidiu aumentar em 10% os investimentos em inovação, o que corresponde a um acréscimo de 12 mil milhões de euros. Em seis anos, duplicou a aposta em investigação e desenvolvimento.

Inovação aqui deve ser vista no sentido amplo: não só novos produtos, mas também novas soluções para os grandes desafios económicos, sociais e ambientais que a Europa enfrente. Nos anos 80 e 90, a agenda da inovação esteve focada exclusivamente nas empresas. Houve um tempo em que os temas económicos e sociais era vistos em separado. A economia produzia riqueza, a sociedade gastava. Na economia do século XXI, isso já não é verdade. Sectores como a saúde, os serviços sociais e a educação têm tendência a crescer, quer em percentagem do PIB quer como empregadores, enquanto outras indústrias têm tendência a decrescer. Em muitos países europeus, o sector social já emprega mais gente do que os serviços financeiros. No longo prazo, a inovação nos serviços sociais ou na educação será tão importante como a inovação na indústria farmacêutica ou aeroespacial. Numa reunião recente em Bruxelas sobre envelhecimento e inovação, que coordenei a convite da Comissão, o representante da Finlândia revelou que nos últimos cinco anos foram criadas na Finlândia mais de 200 empresas na área do envelhecimento ativo. A incubadora para a saúde de Londres, lançada há três anos, já deu origem a mais de 30 novas empresas. No Porto, a Católica lançou um programa de empreendedorismo na área social. Hoje, a Europa precisa de mobilizar a criatividade coletiva para melhorar a sua capacidade de inovação, criando novos modelos de prestação de serviços e novos modelos de negócio para responder aos desafios sociais mais prementes do nosso tempo, incluindo o envelhecimento, o desemprego juvenil e a redução das emissões de carbono.

Um dos maiores desafios que Portugal e a Europa enfrentam é claramente o do envelhecimento da população. As redes sociais e as tecnologias de comunicação são fundamentais para transformarmos este desafio numa oportunidade. Uma nova visão para o envelhecimento passa por uma noção de estarmos ligados: ao emprego, aos sistemas de saúde e de apoio social, aos amigos e familiares. Uma oportunidade de bem-estar e oportunidade de crescimento económico. Onde os mais seniores passam a ser vistos em função das suas capacidades e não apenas das suas necessidades.

Na Europa, "active and healthy ageing" é o tema do primeiro European Innovation Partnership, que tem como objetivo acrescentar dois anos de envelhecimento com saúde por cada cidadão. No âmbito de uma nova política de inovação para Portugal, este deve ser claramente um dos desafios prioritários. Criar condições para os mais seniores terem mais tempo de vida independente, inseridos nas suas comunidades, implicará conjugar inovação tecnológica com inovação social e uma forte colaboração entre as empresas, o Estado central, as autarquias e a economia social, criando novos ecossistemas e desenvolvendo modelos inovadores para a sua implementação.

Uma sociedade sustentável pressupõe um processo de inovação aberto. A grande dificuldade é ligar, intermediar e pôr em contacto pessoas com ideias, pessoas com problemas e pessoas com os recursos institucionais e capacidade financeira. No mundo da inovação empresarial, esse gap foi identificado e, ao longo dos últimos 20 anos, foram criados espaços como incubadoras e centros de inovação, em muitas das áreas da ciência e tecnologia. Não há o equivalente na área social — e essa é uma das razões por que muitas ideias boas não se desenvolvem e crescem. Creio que respostas mais criativas e mais radicalmente inovadoras passarão por novos espaços de colaboração. Precisamos de incubadoras para desenhar serviços, onde participem as pessoas com as mais diversas competências, gente do sector público, do sector privado e do sector social. A verdadeira inovação — adoção de novos modelos, não apenas melhoramento dos modelos atuais — pressupõe aprender com quem é diferente e exige espaços "seguros" para experimentar e testar.

Esta nova vaga de incubadoras permitiria criar o ambiente ideal para um trabalho colaborativo por parte dos três sectores — público, privado e social. Os seus resultados não seriam apenas uma panóplia de inovações, mas também um novo fluxo de novas empresas em mercados promissores, como a saúde, assistência social, educação e negócios verdes. Há exemplos muito interessantes por esse mundo fora.

O sistema financeiro atual não está vocacionado para financiar o tipo de inovação necessária para dar resposta aos grandes desafios sociais. Ao contrário dos mercados comerciais, em fase de maturidade, estamos ainda longe de encontrar os sistemas de financiamento adequados para as inovações sociais mais promissoras. Impulsionar novas fontes de criação de riqueza, aumentar a competitividade e dar resposta às necessidades sociais não são objetivos incompatíveis. É necessário desenvolver produtos financeiros com retorno simultaneamente financeiro e social. Exemplo: social impact bonds ou community impact bonds. Trata-se de um contrato entre uma entidade do sector público e os investidores, pelo qual estes se comprometem a aplicar o seu capital na melhoria de um indicador social. O empréstimo é levantado no mercado, por conta e risco dos investidores, e usado para financiar um conjunto de intervenções que têm objetivos específicos e quantificados. Ao possibilitar a mobilização de investimentos não-estatais, as obrigações de impacto social irão levar à canalização de mais recursos para serviços preventivos, os quais podem ter um impacto direto, por exemplo, nos crescentes custos sociais e de saúde. O Estado paga apenas pelos resultados sociais positivos alcançados, através da partilha com os investidores de parte das poupanças alcançadas. A evolução demográfica deve levar a uma reflexão sobre a própria natureza e finalidade dos fundos de pensões.

Uma forma de assegurar uma remuneração passaria por serviços em espécie, desde saúde a residências assistidas.

Cortar nos desperdícios é fundamental, mas não chega: fazer mais com menos implica inovar radicalmente, isto é: introduzir novos modelos de negócio, novas formas de fazer, abertura da cadeia de valor. O crescimento das necessidades sociais, em conjunto com as restrições orçamentais, exige novos modelos de serviço público. O que é que isso implica no Estado? Mais eficiência, obviamente. Mas também uma nova visão, capaz de mobilizar e envolver a sociedade na criação de novas soluções. A forma mais óbvia de reduzir o défice é eliminar ou reduzir serviços públicos. A forma mais inteligente é mobilizar a sociedade para criar novas soluções para as questões sociais. Em vez de reduzirmos a oferta de serviços públicos, a grande prioridade deve ser reduzir a procura. Como se faz? Se eu prevenir o crime, fica mais barato do que pôr mais polícias na rua. Se melhorar a autonomia dos doentes com doenças crónicas, estes não precisarão de ir constantemente ao hospital. Se criar as condições para os mais idosos ganharem autonomia e ficaram mais tempo nas suas residências, não tenho de construir residências. Este tipo de inovação social é nevrálgico.

Portugal não cresce e está perante o espectro de um desemprego crescente. A saída desta crise requer que tenhamos a ousadia em assumir um desafio coletivo: transformar Portugal numa start-up nation. Só um surto de novas iniciativas empresariais pode criar emprego e abrir perspetivas de futuro. Isso pressupõe apoiar as grandes empresas de amanhã, não apenas as grandes empresas de hoje.

Isto significa facilitar o acesso a financiamento, criar um ambiente atrativo para capital de risco, levar os bancos a financiar novamente as PME e insistir que uma fatia muito maior do orçamento de compras públicas seja alocada a este segmento de empresas.

Isso implica uma nova atitude e uma nova política radicalmente nova, assente no apoio à emergência e expansão de empresas inovadoras e de elevado crescimento. Estas empresas são consideradas motor de crescimento que pode levar a mudanças estruturais na economia. São fundamentais para aproveitar as oportunidades abertas por novas indústrias e sectores em crescimento — e não falo apenas de novos sectores, mas também de sectores ditos tradicionais, do turismo ao calçado, onde Portugal é competitivo.

Só a emergência de uma vaga deste tipo de empresas permitirá vislumbrar que algo de verdadeiramente novo e estrutural se passa na economia portuguesa. Empresas inovadoras de elevado crescimento são essenciais para a performance dos países em termos de inovação e crescimento. Nos Estados Unidos, entre um terço a metade do crescimento da produtividade na indústria deve-se à transferência de quotas de mercado de empresas antigas para novas empresas inovadoras e de elevado crescimento. Não só são mais inovadoras e exportam mais, como criam mais emprego. Entre 1977 e 2005, sem start-ups não teria havido crescimento líquido de emprego.

Um estudo feito há dois anos pela agência de inovação inglesa mostra que, neste país, entre 2002 e 2008, as empresas de crescimento rápido representavam 6% do número de empresas e 60% dos 5,4 milhões de novos postos de trabalho criados. Em suma: é nos momentos de crise que podemos testar e criar novas soluções. São tempos para sermos frugais nos custos, mas exuberantes na criação de novos futuros possíveis. E esse o desafio da sustentabilidade.
Fonte: Expresso, 2011-07-16

Tuesday, October 23, 2012

Unidade de Missão Local



"Quando o Lehmans Brothers  faliu, era dono de um banco no Norte da Alemanha, que detinha uma sociedade financeira na Baviera que tinha comprado uma correctora em Turim que controlava uma sociedade francesa, que adquiriu o capital de uma sociedade madrilena que comprou uma fábrica de texteis em Vila do Conde, ...e o meu cunhado foi despedido na semana passada.

É injusto porque ele fazia muito bem os casacos.
Solução: Comprar o Lehmans Brothers!"


Este trecho humorístico de José Pedro Cobra revela a capacidade dos portugueses de complicarem o problema até ao momento em que a solução se torna impossível.

São conhecidas em Portugal as áreas que atravessam as maiores dificuldades: Indústrias de mão de obra intensiva e sector público.

Sabemos que estes sectores vão desafectar mão de obra.
Será confortável para cada um dos leitores que a responsabilidade da solução seja do Governo. Liberta-nos para focarmos no problema.

Não é credível que o AICEP consiga captar 308 novas "fábricas", com a capacidade de empregarem 600.000 trabalhadores.

Isto significa que qualquer solução para o desemprego passará pelos recursos locais: Municipios; Escolas; Empresas

Torna-se por isso urgente que as entidades locais assumam as rédeas da solução.
Em conjunto, estas entidades saberão identificar soluções locais para a melhoria da competitividade económica e social.

Reclamar ao Governo uma solução, significa estar disponível para ser figurante. E não ator.


Texto de Frederico Lucas com Alexandre Ferraz.

Wednesday, October 10, 2012

Vida sem Máscara!


Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Sentem-se em casa em qualquer lugar. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor e compram passagens só de ida.

Martha Medeiros

Friday, October 05, 2012

A explicação da Dívida em português suave




Explicar a economia portuguesa em poucos parágrafos é perigoso e necessariamente imperfeito.


Portugal tem no seu ADN um apetite especial para viver de recursos alheios.

Desde a Rota das Índias aos Fundos Estruturais, tudo serve para viver desafogadamente com o produto do trabalho alheio.

Quando os Fundos Estruturais entraram em declínio, um novo milagre ocorreu com o nascimento da moeda europeia: empréstimos externos a uma taxa tendencialmente nula.

O sector da construção percebeu muito cedo o novo milagre: entre as PPPs e o imobiliário, o foguetório parecia não ter fim.

Ao contrário daquilo que deveria acontecer, a regulação ficou a dormir.
Era um negócio que interessava a todos: banca, governo (criação e postos de trabalho), autarquias (beneficiárias das SISAs e não só).

Neste contexto, com a banca a emprestar a empresas de construção com garantia pública e a controlar simultaneamente a valorização imobiliária, o Mundo da Barbie estava montado. E nem o Ken faltou à encenação.

Em desgraça caíram todos os outros sectores da economia que não beneficiam de garantias públicas de crédito.

Lamentavelmente, entre estes estão os sectores que produzem riqueza. E sem capital, não ocorre a produção de "transaccionáveis", passíveis de exportação.

Sem exportações, a dívida cresce. E continuará a crescer até que cada um de nós compreenda que esse tem de ser o desígnio de uma economia sobre-endividada.

E assim chegamos à desgraça, consequência de políticas erradas de desenvolvimento.
A mudança é dura, mas necessária.
O reino da construção e das empresas públicas chegou ao fim.

Precisamos de dar novos mundos…a Portugal!


in Re-Visto

Tuesday, September 18, 2012

“Com desinformação as pessoas são manipuláveis.”


A frase pertence a Luisa Schmidt, proferida durante a conferência “Presente no Futuro” que se realizou nos passados dias 14 e 15 de Setembro, no CCB em Lisboa.
Durante estes dias, políticos, investigadores e empreendedores pisaram os palcos da conferência, com a missão de discutir o Portugal que desejamos para 2030.
“Será que os portugueses detêm a informação necessária para que possam decidir livremente?”
António Barreto, Presidente da Fundação organizadora, sublinhou esta pergunta de resposta simples.
Os discursos partidários são vazios de conteúdo e ricos em Soundbites. Ninguém explica a dívida, porque não interessa.
Vivemos tempos de desinformação. Para melhor manipular “as massas”, registou Luísa Schmidt.

João Miguel Tavares pediu desculpa aos "Senhores Grisalhos" para os lembrar que os seus Direitos estão a ser pagos pelos seus filhos.
Isabel Vaz valeu-se da sua experiência de trabalho em contexto hospitalar para destacar a importância da visão de longo prazo. Por oposição ao “imediato”, que define a maioria das nossas opções.
O Poder Político dispoe de informação que não partilha. Porque não consegue conciliar os programas eleitorais com as necessidades da população.
Já conhecemos o resultado.
Fernando Henrique Cardoso, convidado de honra deste evento, trouxe uma mensagem de tolerância para um mundo mais próximo. Com várias culturas e religiões: ”O mundo precisa de uma regulação que respeite todas as realidades.”
Alexandre Soares dos Santos fechou a conferência: “Precisamos de ensinar aos nossos alunos a diferença entre discussão e confronto. Falta-lhes a capacidade de argumentação.”
Para respeitarmos a DIVERSIDADE, digo eu.

in re-visto

Monday, September 10, 2012

A Estratégia de Pedro Passos Coelho

A comunicação ao país de Pedro Passos Coelho surpreendeu tudo e todos.
Ninguém vislumbrou vantagens nesta estratégia de transferir para as famílias parte dos custos sociais.

As familias vão ficar com menos dinheiro. As empresas também.

Todas as empresas que estão orientadas para o mercado interno vão ressentir-se desta medida. As grandes empresas - em particular o retalho e a banca - vão ser as maiores vítimas. O consumo vai contrair, o incumprimento bancário vai aumentar.
O facto das grandes empresas portuguesas dependerem do mercado interno explica a parte mais importante da nossa crise económica.

Era mau demais para ser verdade.

Com esta medida, Pedro Passos Coelho está a chamar multinacionais para Portugal.

Mas não são todas. São apenas as que dependem do mercado global, uma vez que a evolução do consumo interno é uma incógnita para muitos.

Com esta medida, o governo espera criar postos de trabalho com empresas estrangeiras. Convenhamos que a estratégia estava montada: flexibilização do mercado de trabalho.

Terá o AICEP o "caparro" suficiente para a digestão desta medida?

Se Pedro Passos Coelho não tiver em carteira um conjunto de novos projectos para instalar em Portugal, teremos o caldo entornado.


Frederico Lucas, Técnico de Dinamização Territorial

Declaração de Interesses: O autor deste texto é promotor de iniciativas para a captação de empresas globais para o território rural português.

Saturday, September 08, 2012

“Pequeno rei”




Entrevista: Ryan Hreljac, da Fundação Ryan’s Well
Em janeiro de 1998, um canadense tomou uma decisão que mudaria para sempre a sua vida e a de milhares de pessoas do planeta. Ao saber que muitos africanos adoeciam e morriam por causa da ingestão de água poluída, ele mostrou-se decidido a ajudar a reverter aquela situação. Tomado por um altruísmo abnegado, ele convenceu parentes, amigos e gente que nunca tinha visto antes a se engajar na sua ideia: construir poços para disponibilizar água limpa a seres que ele e nenhum dos seus compatriotas conheciam ou tinham visto pessoalmente. Mas eram seres tão humanos quanto qualquer canadense ou nascido em outra região do planeta. Dois anos depois, ele estava a mais de 11 mil km de distância, em Uganda, inaugurando o primeiro das centenas de poços que iria ajudar a construir pelo mundo.
Essa história já seria um belo exemplo de amor ao próximo qualquer que tivesse sido o seu protagonista. Mas o que a torna ainda mais especial é que o canadense em questão tinha apenas seis anos quando ouviu ecoar dentro de dentro de si a vontade e o chamado para ajudar pessoas a viver com dignidade. Essa é a história de Ryan Hreljac.
Em entrevista exclusiva ao TerraGaia, Ryan, hoje com 19 anos, conta detalhes do dia em que decidiu que tinha que fazer algo para ajudar pessoas a terem água potável ara consumir; a reação da família ao saber do seu ambicioso projeto; a motivação para conseguir o dinheiro necessário para o investimento; a emoção dos ugandenses no dia da inauguração do primeiro poço (“foi um dia de celebração”); a criação da fundaçãoque leva o seu nome; e dá conselhos para aqueles que querem fazer como ele: ousar. “Para fazer uma mudança positiva no mundo, você precisa encontrar algo que o transforme num apaixonado e que lhe dê motivação para agir. Embora inicialmente os passos possam ser muito pequenos, se você persistir e nunca desistir, o impacto das suas idéias vai crescer ano após ano”, incentiva ele que, em dez anos de atividades, já completou mais de 630 projetos em 16 países, beneficiando mais de 700 mil pessoas. Uma atitude mais do que nobre, ainda mais para alguém cujo nome, em gaélico (o idioma irlandês), significa “pequeno rei”.
TerraGaia – O seu envolvimento com as causas humanitárias começou quando ainda era uma criança. Quantos anos o senhor tinha e o que o levou a iniciar um projeto para dar acesso à água a pessoas do continente africano, uma realidade muito diferente da sua naquele momento?
Ryan Hreljac – Minha história é realmente muito simples. Um dia, em janeiro de 1998, quando eu tinha seis anos, estava sentado na sala de aula do meu curso de 1º Grau quando minha professora, a Sra. Prest, explicou que muitas pessoas na África estavam doentes e até mesmo morriam porque não tinham água potável para beber. Ela nos contou que algumas pessoas andavam por horas na África, por vezes apenas para conseguir água poluída.
Eu fiquei muito triste quando soube daquela situação, pois, no meu caso, tudo o que eu tinha que fazer era dar nove ou dez passos da minha sala de aula até o bebedouro para beber água potável. Antes desse dia na escola, achava que todos no mundo viviam como eu. Quando descobri aquela situação, decidi que tinha que fazer algo.
Fui para casa e pedi ajuda ao meu pai e à minha mãe. Eles me disseram que eu poderia fazer tarefas extras em casa para ganhar os 70 dólares que eu achava que eram necessários para construir o poço. Eu pensava que, com esse valor, iria resolver o problema.
Em quatro meses eu consegui juntar os meus primeiros 70 dólares. Mas foi então que eu soube que eram necessários 2 mil dólares para construir um poço. O problema era muito maior do que eu imaginava.
Comecei então a falar com clubes, escolas e quem mais quisesse ouvir a minha história para que eu pudesse levantar o dinheiro necessário para a empreitada. Depois que construímos o primeiro poço, em Uganda, nos tornamos uma instituição de caridade canadense e começamos a construir outros poços, muitos outros. Venho fazendo isso há mais de dois terços da minha vida e pessoas de todo o mundo têm se prontificado a ajudar.
TerraGaia – Como a sua família reagiu à sua iniciativa? O que eles acharam de uma criança se envolver num projeto ambicioso que nem os adultos estavam dando atenção?
Ryan Hreljac – Minha família sempre me deu apoio. Desde a primeira vez quando cheguei da escola e pedi os 70 dólares. Mas meus pais disseram que eu teria que ganhar esse dinheiro fazendo tarefas em casa. E eu fiz!



Água limpa, alegria da criança africana: "O fato de ter pouca idade no começo não foi um obstáculo no caminho do meu sonho de conseguir água potável para todos"
TerraGaia – Em qual cidade o senhor morava no Canadá nessa época? Tem irmãos? Está estudando atualmente?
Ryan Hreljac – Eu cresci em Kemptville, Ontário, a 55 km da cidade de Ottawa, capital do Canadá. Tenho três irmãos: Jordan (mais velho), Keegan e Jimmy, adotivo, que conheci em Uganda. Atualmente, faço faculdade na Universidade King’s College, em Halifax, Nova Scotia.
TerraGaia – Como o senhor concilia seus estudos com as ações da fundação?
Ryan Hreljac – Apesar de ser aluno em tempo integral, consigo conciliar meus estudos com meu trabalho na fundação: realizo palestras durante alguns finais de semana nos meses de verão e participo das quatro reuniões anuais do conselho da instituição.


Ryan ao lado de um poço construído pela sua fundação no município de Ogur, sub-distrito de Lira, em Uganda
TerraGaia – Quais foram as dificuldades que o senhor encontrou para levar o projeto adiante? Conseguir financiamento? Não ser levado a sério pelo fato de ser uma criança? Encontrar pessoas ou empresas dispostas a contribuir com a sua causa?
Ryan Hreljac – Sempre fui uma pessoa motivada. O fato de ter pouca idade no começo não foi um obstáculo no caminho do meu sonho de conseguir água limpa para todos. Fui inspirado pela bondade da minha família, amigos e desconhecidos que enviaram dinheiro para o projeto.
TerraGaia – Por que Uganda foi o primeiro país beneficiado pelo projeto? Quais foram os motivos que levaram a escolha desse país?
Ryan Hreljac – Quando levantamos o dinheiro necessário, apresentamos o projeto a uma organização que nos sugeriu Uganda como o país que mais precisava de um poço naquele momento. Concordei e pedi apenas que o poço fosse construído perto de uma escola.


Fundação Ryan's Well, 630 projetos em 16 países: água potável e saneamento para mais de 700 mil pessoas no planeta
TerraGaia – Qual foi a reação dos governantes de Uganda ao conhecerem o seu projeto? Inicialmente houve apoio ou resistência?
Ryan Hreljac – O governo de Uganda foi muito favorável ao projeto.
TerraGaia – Qual região de Uganda foi escolhida para a construção do primeiro  poço? Por que a região foi escolhida?
Ryan Hreljac – O primeiro poço foi construído na Escola Primária Angolo, localizada em Otwal, no norte de Uganda. Era uma região marcada por muito sofrimento: 13 anos de atividades rebeldes contra o governo, muitos anos de seca e o flagelo da AIDS. A fonte de água mais próxima era um pântano localizado a cinco quilômetros de distância. Muitas crianças estavam doentes e tinham diarréia por causa da ingestão de água contaminada.


Ryan e Jimmy conversam com crianças numa escola: "Sempre fui uma pessoa motivada. Fui inspirado pela bondade da minha família, amigos e desconhecidos que enviaram dinheiro para o projeto"
TerraGaia – Como foi a reação dos moradores da região ao saber que seriam os primeiros a ter um poço construído pela sua iniciativa?
Ryan Hreljac – Foi um dia de celebração. Visitei a Escola Primária Angolo em julho de 2000, após a construção do poço. A estrada que leva até a aldeia onde está localizada a escola estava tomada por pelo menos cinco mil crianças, que batiam palmas e cantavam. Uma banda formada por moradores tocou várias músicas em minha homenagem e ainda fui cumprimentado pelos anciãos da aldeia.
TerraGaia – Em que momento o senhor percebeu a necessidade de criar a Fundação? Quando a instituição foi criada?
Ryan Hreljac – A Fundação Ryan’s Well foi criada em 2001 porque havia a necessidade de ampliar a arrecadação de fundos para os projetos de água. Em 2011, vamos comemorar nosso 10º aniversário.


Ryan junto ao seu primeiro poço, na Escola Primária Angolo, Uganda, em 2002
TerraGaia – Quantos poços foram construídos até hoje? Em quais países eles estão localizados?
Ryan Hreljac – Neste momento, nós completamos 630 projetos de água e saneamento em 16 países, levando água potável e saneamento a 700.880 pessoas.
Atualmente, a fundação concentra esforços e recursos em três regiões principais: leste da África: Uganda, Tanzânia, Quênia e Malauí; oeste da África: Gana, Togo e Burkina Faso; e América Central: Haiti. Também apoiamos projetos na Etiópia, Guatemala, Guiana, Nigéria, Índia, Zimbábue, Zâmbia e Lesoto.
TerraGaia – O senhor tem algum projeto para o Brasil? Conhece a realidade brasileira?
Ryan Hreljac – Ainda não temos projetos no Brasil. Mas temos uma compreensão geral dos desafios existentes no país: elevado número de pessoas vivendo em favelas e em áreas rurais sem acesso a água potável e a saneamento adequado.


"Eu fiquei muito triste quando soube que algumas pessoas andavam por horas na África, por vezes apenas para conseguir água poluída. Antes desse dia na escola, achava que todos no mundo viviam como eu. Quando descobri aquela situação, decidi que tinha que fazer algo"
TerraGaia – A sua iniciativa pode ser considerada um exemplo para um mundo onde muito dinheiro é destinado à fabricação de armas, que geram violência e dor a muitas famílias e crianças. Como se sente em relação ao impacto que o seu trabalho gera para o bem-estar de milhares de pessoas e ao redor do planeta?
Ryan Hreljac – Eu sou inspirado por pessoas que me dizem: “Mas eu sou apenas um estudante…”, “Eu sou apenas um professor…”. Mas eles podem, à sua própria maneira, fazer diferença. Me alegra ouvir depoimentos de pessoas se inspiraram na minha história e nos relatos dos que estão ajudando a fundação.
TerraGaia – Qual mensagem gostaria de enviar para as famílias e para as crianças e jovens do mundo?
Ryan Hreljac – Meu trabalho com a fundação tem me ensinado que, para fazer uma mudança positiva no mundo, você precisa encontrar algo que o transforme num apaixonado e que lhe dê motivação para agir. Embora inicialmente os passos possam ser muito pequenos, se você persistir e nunca desistir, o impacto das suas idéias vai crescer ano após ano.

Ryan na África, 11 mil km de distância da sua terra natal, o Canadá: "Para fazer uma mudança positiva no mundo, você precisa encontrar algo que o transforme num apaixonado e que lhe dê motivação para agir. Embora inicialmente os passos possam ser muito pequenos, se você persistir e nunca desistir, o impacto das suas idéias vai crescer ano após ano"
Fundação Ryan’s Well é uma instituição de caridade canadense. Recebe doações de pessoas físicas, escolas, igrejas e corporações.
Contato: www.ryanswell.ca
Fonte: TerraGaia

Wednesday, July 25, 2012

Comunidades Contemporâneas



O João, o Pedro, a Rita e a Inês estão desempregados.
Na vila onde habitam, não existem empresas a contratar.
Nenhum deles, numa perspectiva isolada, tem a coragem de criar o seu posto de trabalho.
Restam por isso duas alternativas: mudar de cidade ou país; associarem esforços para uma solução comum.
Foi isso que fez Arthur Potts-Dawson, Kate Bull e David Barrie ao criarem o primeiro “The People’s Supermarket”.
Todos tinham tempo disponivel, todos precisavam de adquirir produtos alimentares.
A primeira conclusão foi linear: a compra de produtos em quantidade traz descontos que o retalho não pratica.
A segunda conclusão, com maior risco, foi sobre a partilha desses descontos com a comunidade onde habitam.
Criaram assim um negócio assente num modelo muito simples: O nr de horas dedicadas ao negócio – a título de voluntariado – revertiam em descontos nas compras.
Como factor diferenciador, apostaram em fornecedores horticolas seus conhecidos, garantindo aos clientes a qualidade desses produtos.
Assim, reduziram os riscos da operação, rentabilizaram o tempo que tinham disponivel, e ofereceram à comunidade um ponto de venda seguro sobre produtos frescos comercializados.
O João, o Pedro, a Rita e a Inês não precisam de abrir um supermercado na vila onde habitam para construirem uma solução profissional.
Mas este exemplo é revelador de uma tendência global que importa explorar: a participação dos consumidores no processo produtivo.

Sunday, March 04, 2012

Broadband 'can be an engine for economic growth in Europe'

The Mobile World Congress (MWC) 2012 took place in Barcelona from 27 February to 1 March with the participation of global leaders in the world of telecommunications.
The event coincided with the decisions on roaming and data roaming charges in the European Parliament, considerations of the future investment in internet technologies and debates on the Anti-counterfeiting Trade Agreement (ACTA), each with its own policy ramifications on the telecoms industry.

Despite the positive global trends linking broadband technology to GDP growth, speakers at the MWC pointed out that Europe remains the only continent where telecommunications business is running at a loss. The European Commission has dedicated €9.2 billion to co-finance transition from copper to fibre-based cable telecoms and internet networks in October 2011.
Indonesian Telecoms Minister Tifatul Sembiring stressed at the broadband forum organised by leading global information and communications technology solutions provider Huawei that growth in broadband was central to economic growth of 6.5% that the country experienced in the past year.

The importance of the broadband internet as an engine for the economic growth was pointed out by Huawei Vice Director Richard Brennan who told New Europe that the technology could improve various aspects of life, including education, healthcare and the way businesses operate.
One of the creative solutions presented at the eve of MWC is improvement in machine-to-machine (M2M) technologies presented by Huawei that allow both wireless and wired systems to communicate with other devices, providing an interface for consumers and developers to implement ideas and services as applications on the cloud rather without unnecessary worries about the infrastructure set-up and maintenance.

The future IPv6 technology, championed by Huawei, would allow for every appliance to be connected to the network, fetch data from it and report its position and other information. Application of such technology in healthcare could provide timely and accurate treatment while lowering costs.
Many companies around the globe already benefited from using Huawei's cloud technologies, but creation of a wider open-access data network, based on the fibre broadband which would serve as a backhaul available to users, could provide a boost to invention-based economy and creative businesses.
The World Bank estimates that a 10% increase in broadband penetration can potentially translate into 1.3% GDP growth, with comparative studies in countries which committed to national broadband commitments confirming this trend.

in New Europe

Saturday, February 25, 2012

TVI 24: O projecto Novos Povoadores



A 25 de Fevereiro, o Portugal Português teve como tema principal «Novos Povoadores»: um projecto que tem como principal objectivo repovoar o interior do país.
Os Novos Povoadores apoiam quem quer mudar de vida, quem decide largar as grandes cidades e rumar para concelhos mais rurais. Até agora cerca de 600 famílias já se inscreveram, mas o projecto tem tido muitos avanços e recuos.
A primeira família mudou-se agora para Alfândega da Fé. O Portugal Português mostrou outros casos de famílias que decidiram arriscar e viver com mais qualidade.
Em estúdio, a jornalista Paula Magalhães, contou com a presença de Frederico Lucas, responsável pelo projecto Novos Povoadores e Luís Guimarães, membro da primeira família a mudar-se para o interior. Porque o que se passa em qualquer lugar deste país interessa a Portugal.

In TVI24

Sunday, January 29, 2012

Negócios rurais a crescer



António Afonso, André Vaz e Marco Domingues arriscaram onde quase ninguém ousa fazê-lo: no interior do país. A falta de mercado de trabalho local tem criado novas oportunidades para quem não quer ir atrás do "sonho do litoral".


André Vaz é um apaixonado por abelhas. A licenciatura em educação física e a especialização em animação social não chegaram para que se sentisse realizado. Foram precisos 320 enxames para começar a pensar em deixar o trabalho por conta de outrem para se dedicar exclusivamente à Apidolce. 


Por enquanto, vai mantendo a sua actividade na Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros e na Casa da Misericórdia, mas o objectivo é o de viver apenas da apicultura. "O projecto é recente, mas o gosto vem de há muito. O meu avô e o meu pai eram apicultores, mas tiveram que deixar de ter abelhas por motivos pessoais. Em 2003, comecei a fazer da apicultura um 'hobby' e seis anos depois iniciei o meu projecto empresarial", conta.

O rosto por trás da Apidolce foi um dos vencedores da edição de 2010 do Prémio EDP Empreendedor Sustentável, cujo objectivo é o de criar um contexto favorável à criação de auto-emprego em regiões onde a ausência de mercado de trabalho é uma das principais preocupações.

António Afonso também viu o seu "Reino Maravilhoso" ser distinguido com o primeiro prémio, depois de vários anos ligados à docência e ao turismo. Recentemente, terminaram várias jornadas municipais de empreendedorismo, organizadas para lançar a segunda edição e, sobretudo, para provocar o encontro de instituições ligadas ao desenvolvimento ou gestão da região, com actuais e futuros empreendedores. No total, houve mais 500 participantes.

"Este prémio nasce da visão da EDP para a região onde estão a ser construídas barragens: se produzir energia a partir da água é bom para o país inteiro, então os primeiros portugueses a beneficiar com isso devem ser os que lá vivem", explica Sérgio Figueiredo, administrador-delegado da Fundação EDP. O ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa promoveu um inquérito sociológico às populações de Trás-os-Montes e Alto Douro, para identificar quais eram as suas prioridades. As respostas foram claras: o povo transmontano quer que o investimento que está a ser feito na região crie oportunidades de emprego. "E nós achamos que isso é crucial para fixar pessoas naquele território, que é provavelmente o maior drama com que o interior do país se confronta", acrescenta.

A EDP entendeu que poderia ir além do emprego, directo e indirecto, gerado pelas obras de construção e criou o "Programa Empreendedor Sustentável", uma de várias iniciativas em curso. Objectivo: que a região adquira competências e capacitação para o auto-emprego e lançamento de pequenos negócios. "Dadas as dificuldades da economia portuguesa, com taxas de desemprego elevadas, a capacitação e desenvolvimento de uma cultura para o empreendedorismo é absolutamente necessária", revela. Sérgio Figueiredo adianta que este programa desafia as pessoas a "pensar fora da caixa". "A EDP apoia gratuitamente empreendedores locais, através de serviços de consultoria e formação, elaboração de plano de negócios e apoio ao processo de financiamento."

Além desta iniciativa, a Fundação EDP desenvolveu outra, a "EDP Solidária Barragens", que visa apoiar a inclusão social e a melhoria das condições de vida dos mais carenciados. A Fundação conseguiu encontrar projectos empreendedores com uma vertente social associada, como o CSS - Comércio Solidário e Sustentável, de Marco Domingues, que venceu o primeiro prémio. Mas tudo isto não chega.

André Vaz gostaria que os municípios pudessem dar mais apoio técnico a quem quer criar o seu próprio negócio ou revitalizar o emprego. "As pessoas têm vontade e mercado, não têm é argumentos válidos para ir buscar o financiamento. Penso que isto resolveria o problema dos jovens no geral", afirma. Ao trabalhar na área social, o apicultor tem contacto com uma das actividades que a autarquia desenvolve, o "Empreendedorismo e Capacitação de Agentes".

"Vejo que há bastantes jovens a tentar criar o seu emprego e a fugir à falta de empregabilidade da região. Muitas vezes, este empreendedorismo é fora da área de formação, tal como me aconteceu a mim." O principal obstáculo é o financiamento, seja por falta de capitais próprios ou de abertura das instituições bancárias. "A vontade existe e a procura também." António Afonso concorda. O recém-empresário afirma que a região transmontana tem muita gente a querer empreender e que o Governo devia apostar no interior do país.




Cinco dicas para promover o negócio local

1. Constituição de "working labs" e espaços de "co-working" 
Estes "laboratórios de trabalho" e espaços para a partilha de negócios devem estar centrados no município e envolver a autarquia, que é, invariavelmente, a maior entidade empregadora e o principal dínamo do mercado de trabalho local. Os espaços permitem integrar conhecimento e parcerias entre desempregados, freelancers, empresários, mentores e universitários. O objectivo é criar um sistema em rede, com condições para incubação de empreendedores e empresas.


2. Ligar pequenos negócios a grandes investimentos
A construção de um empreendimento hidroeléctrico ou de uma obra pública de grandes dimensões gera oportunidades favoráveis ao nascimento de pequenos negócios. Os empresários devem promover encontros com as PME das regiões onde vão construir novas obras, para reduzir a desvantagem de acesso à informação que existe face a grandes fornecedores nacionais. Este efeito de alavancagem pode ser produzido da mesma forma nos processos de internacionalização. 


3. De "freelancer" a pequeno empresário
Existem várias profissões que devem ser expandidas com formação, capacitação e "marketing" social, como o agricultor, pedreiro, canalizador ou carpinteiro. Devem ser dinamizadas, porque fazem falta, sobretudo em regiões onde há uma grande migração de habitantes. Um pequeno empresário promove o emprego e combate o êxodo rural. Os empresários devem estimular contratação de horas, em vez de contratar a pessoa. Os Centros de Emprego devem avançar com experiências-piloto, semelhantes aos mecanismos de "mercado" praticados por empresas de trabalho temporário, que permita orientar um desempregado para um trabalhador por conta própria. 


4. Atrair jovens casais
A emigração para as cidades junto ao litoral não pode ser a única saída possível para os jovens desempregados do interior. As autarquias devem facilitar a instalação de casais jovens nos seus concelhos, para que possam aproveitar oportunidades como o programa de Empreendedor Sustentável e o Movimento de Novos Povoadores, que já permitiu a instalação de dois jovens casais. 


5. Desenvolvimento de uma ideia de "serviço cívico nacional voluntário"
Esta ideia deve constituir uma ferramenta que que permita combater o isolamento do desempregado, em serviços de apoio domiciliário, por exemplo, utilizando espaços, cozinhas ou lavandarias já existentes.

in Negócios, Ana Pimentel

Tuesday, January 03, 2012

Novo Parque de Ciência vai ter laboratórios para apoiar empresas



O Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo, previsto “nascer” em Évora, no próximo ano, vai agregar laboratórios para apoiar empresas em várias vertentes, como energias renováveis, ambiente e clima, agro-alimentares, protótipos e mecatrónica ou informática.

“Vários laboratórios vão ser instalados no parque para prestarem serviços a empresas, por exemplo no estudo de materiais e construção de protótipos”,adiantou hoje Manuel Cancela d'Abreu, vice-reitor da Universidade de Évora. O responsável explicou ainda que o espaço, assim como todo o Sistema Regional de Transferência de Tecnologia (SRTT) em que está integrado, num projecto para ser implementado no Alentejo e na Lezíria do Tejo, vai abranger várias vertentes de actuação.
“Uma delas, muito importante, é a das indústrias e empresas agro-alimentares. Outras são as energias renováveis, a mecatrónica e protótipos, as indústrias ligadas ao ambiente e ao clima e a informática”, revelou. A ideia é que existam laboratórios e outras estruturas de investigação que promovam a transferência de tecnologia da Universidade de Évora e dos institutos superiores politécnicos de Beja, Portalegre e Santarém para as empresas da região.

“O Parque de Ciência e Tecnologia e o SRTT são importantíssimos porque, hoje em dia, as empresas e as regiões desenvolvem-se e conseguem criar emprego através da inovação, pelo que é fundamental o trabalho em conjunto com as instituições de ensino superior e de investigação”, frisou.

O SRTT vai ser criado por um consórcio de 21 parceiros e prevê um investimento global de quase 42 milhões de euros, dos quais cerca de 30 milhões (70 por cento) são apoios comunitários, através do Programa Operacional InAlentejo.

Uma das vertentes mais importantes do SRTT, que também engloba incubadoras de empresas em vários pontos da região, é o Parque de Ciência e Tecnologia que, no próximo ano, vai ser construído em Évora.
A sociedade gestora do parque, que vai também coordenar todo o SRTT, é constituída formalmente quarta-feira, na Universidade de Évora, com a assinatura da escritura. O capital da sociedade é de 575 mil euros, detido maioritariamente (quase 76 por cento) pela Universidade de Évora, seguindo-se o Banco Espírito Santo e a empresa Glintt, que actua em várias áreas, nomeadamente a informática e as energias renováveis.

Os restantes parceiros da sociedade são a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, a Associação Nacional de Jovens Empresários, os institutos Politécnicos de Beja, Portalegre e Santarém e a empresa Decsis.

in CiênciaHoje, Fotografia EDP FabLab