As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Sunday, January 29, 2012

Negócios rurais a crescer



António Afonso, André Vaz e Marco Domingues arriscaram onde quase ninguém ousa fazê-lo: no interior do país. A falta de mercado de trabalho local tem criado novas oportunidades para quem não quer ir atrás do "sonho do litoral".


André Vaz é um apaixonado por abelhas. A licenciatura em educação física e a especialização em animação social não chegaram para que se sentisse realizado. Foram precisos 320 enxames para começar a pensar em deixar o trabalho por conta de outrem para se dedicar exclusivamente à Apidolce. 


Por enquanto, vai mantendo a sua actividade na Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros e na Casa da Misericórdia, mas o objectivo é o de viver apenas da apicultura. "O projecto é recente, mas o gosto vem de há muito. O meu avô e o meu pai eram apicultores, mas tiveram que deixar de ter abelhas por motivos pessoais. Em 2003, comecei a fazer da apicultura um 'hobby' e seis anos depois iniciei o meu projecto empresarial", conta.

O rosto por trás da Apidolce foi um dos vencedores da edição de 2010 do Prémio EDP Empreendedor Sustentável, cujo objectivo é o de criar um contexto favorável à criação de auto-emprego em regiões onde a ausência de mercado de trabalho é uma das principais preocupações.

António Afonso também viu o seu "Reino Maravilhoso" ser distinguido com o primeiro prémio, depois de vários anos ligados à docência e ao turismo. Recentemente, terminaram várias jornadas municipais de empreendedorismo, organizadas para lançar a segunda edição e, sobretudo, para provocar o encontro de instituições ligadas ao desenvolvimento ou gestão da região, com actuais e futuros empreendedores. No total, houve mais 500 participantes.

"Este prémio nasce da visão da EDP para a região onde estão a ser construídas barragens: se produzir energia a partir da água é bom para o país inteiro, então os primeiros portugueses a beneficiar com isso devem ser os que lá vivem", explica Sérgio Figueiredo, administrador-delegado da Fundação EDP. O ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa promoveu um inquérito sociológico às populações de Trás-os-Montes e Alto Douro, para identificar quais eram as suas prioridades. As respostas foram claras: o povo transmontano quer que o investimento que está a ser feito na região crie oportunidades de emprego. "E nós achamos que isso é crucial para fixar pessoas naquele território, que é provavelmente o maior drama com que o interior do país se confronta", acrescenta.

A EDP entendeu que poderia ir além do emprego, directo e indirecto, gerado pelas obras de construção e criou o "Programa Empreendedor Sustentável", uma de várias iniciativas em curso. Objectivo: que a região adquira competências e capacitação para o auto-emprego e lançamento de pequenos negócios. "Dadas as dificuldades da economia portuguesa, com taxas de desemprego elevadas, a capacitação e desenvolvimento de uma cultura para o empreendedorismo é absolutamente necessária", revela. Sérgio Figueiredo adianta que este programa desafia as pessoas a "pensar fora da caixa". "A EDP apoia gratuitamente empreendedores locais, através de serviços de consultoria e formação, elaboração de plano de negócios e apoio ao processo de financiamento."

Além desta iniciativa, a Fundação EDP desenvolveu outra, a "EDP Solidária Barragens", que visa apoiar a inclusão social e a melhoria das condições de vida dos mais carenciados. A Fundação conseguiu encontrar projectos empreendedores com uma vertente social associada, como o CSS - Comércio Solidário e Sustentável, de Marco Domingues, que venceu o primeiro prémio. Mas tudo isto não chega.

André Vaz gostaria que os municípios pudessem dar mais apoio técnico a quem quer criar o seu próprio negócio ou revitalizar o emprego. "As pessoas têm vontade e mercado, não têm é argumentos válidos para ir buscar o financiamento. Penso que isto resolveria o problema dos jovens no geral", afirma. Ao trabalhar na área social, o apicultor tem contacto com uma das actividades que a autarquia desenvolve, o "Empreendedorismo e Capacitação de Agentes".

"Vejo que há bastantes jovens a tentar criar o seu emprego e a fugir à falta de empregabilidade da região. Muitas vezes, este empreendedorismo é fora da área de formação, tal como me aconteceu a mim." O principal obstáculo é o financiamento, seja por falta de capitais próprios ou de abertura das instituições bancárias. "A vontade existe e a procura também." António Afonso concorda. O recém-empresário afirma que a região transmontana tem muita gente a querer empreender e que o Governo devia apostar no interior do país.




Cinco dicas para promover o negócio local

1. Constituição de "working labs" e espaços de "co-working" 
Estes "laboratórios de trabalho" e espaços para a partilha de negócios devem estar centrados no município e envolver a autarquia, que é, invariavelmente, a maior entidade empregadora e o principal dínamo do mercado de trabalho local. Os espaços permitem integrar conhecimento e parcerias entre desempregados, freelancers, empresários, mentores e universitários. O objectivo é criar um sistema em rede, com condições para incubação de empreendedores e empresas.


2. Ligar pequenos negócios a grandes investimentos
A construção de um empreendimento hidroeléctrico ou de uma obra pública de grandes dimensões gera oportunidades favoráveis ao nascimento de pequenos negócios. Os empresários devem promover encontros com as PME das regiões onde vão construir novas obras, para reduzir a desvantagem de acesso à informação que existe face a grandes fornecedores nacionais. Este efeito de alavancagem pode ser produzido da mesma forma nos processos de internacionalização. 


3. De "freelancer" a pequeno empresário
Existem várias profissões que devem ser expandidas com formação, capacitação e "marketing" social, como o agricultor, pedreiro, canalizador ou carpinteiro. Devem ser dinamizadas, porque fazem falta, sobretudo em regiões onde há uma grande migração de habitantes. Um pequeno empresário promove o emprego e combate o êxodo rural. Os empresários devem estimular contratação de horas, em vez de contratar a pessoa. Os Centros de Emprego devem avançar com experiências-piloto, semelhantes aos mecanismos de "mercado" praticados por empresas de trabalho temporário, que permita orientar um desempregado para um trabalhador por conta própria. 


4. Atrair jovens casais
A emigração para as cidades junto ao litoral não pode ser a única saída possível para os jovens desempregados do interior. As autarquias devem facilitar a instalação de casais jovens nos seus concelhos, para que possam aproveitar oportunidades como o programa de Empreendedor Sustentável e o Movimento de Novos Povoadores, que já permitiu a instalação de dois jovens casais. 


5. Desenvolvimento de uma ideia de "serviço cívico nacional voluntário"
Esta ideia deve constituir uma ferramenta que que permita combater o isolamento do desempregado, em serviços de apoio domiciliário, por exemplo, utilizando espaços, cozinhas ou lavandarias já existentes.

in Negócios, Ana Pimentel

Tuesday, January 03, 2012

Novo Parque de Ciência vai ter laboratórios para apoiar empresas



O Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo, previsto “nascer” em Évora, no próximo ano, vai agregar laboratórios para apoiar empresas em várias vertentes, como energias renováveis, ambiente e clima, agro-alimentares, protótipos e mecatrónica ou informática.

“Vários laboratórios vão ser instalados no parque para prestarem serviços a empresas, por exemplo no estudo de materiais e construção de protótipos”,adiantou hoje Manuel Cancela d'Abreu, vice-reitor da Universidade de Évora. O responsável explicou ainda que o espaço, assim como todo o Sistema Regional de Transferência de Tecnologia (SRTT) em que está integrado, num projecto para ser implementado no Alentejo e na Lezíria do Tejo, vai abranger várias vertentes de actuação.
“Uma delas, muito importante, é a das indústrias e empresas agro-alimentares. Outras são as energias renováveis, a mecatrónica e protótipos, as indústrias ligadas ao ambiente e ao clima e a informática”, revelou. A ideia é que existam laboratórios e outras estruturas de investigação que promovam a transferência de tecnologia da Universidade de Évora e dos institutos superiores politécnicos de Beja, Portalegre e Santarém para as empresas da região.

“O Parque de Ciência e Tecnologia e o SRTT são importantíssimos porque, hoje em dia, as empresas e as regiões desenvolvem-se e conseguem criar emprego através da inovação, pelo que é fundamental o trabalho em conjunto com as instituições de ensino superior e de investigação”, frisou.

O SRTT vai ser criado por um consórcio de 21 parceiros e prevê um investimento global de quase 42 milhões de euros, dos quais cerca de 30 milhões (70 por cento) são apoios comunitários, através do Programa Operacional InAlentejo.

Uma das vertentes mais importantes do SRTT, que também engloba incubadoras de empresas em vários pontos da região, é o Parque de Ciência e Tecnologia que, no próximo ano, vai ser construído em Évora.
A sociedade gestora do parque, que vai também coordenar todo o SRTT, é constituída formalmente quarta-feira, na Universidade de Évora, com a assinatura da escritura. O capital da sociedade é de 575 mil euros, detido maioritariamente (quase 76 por cento) pela Universidade de Évora, seguindo-se o Banco Espírito Santo e a empresa Glintt, que actua em várias áreas, nomeadamente a informática e as energias renováveis.

Os restantes parceiros da sociedade são a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, a Associação Nacional de Jovens Empresários, os institutos Politécnicos de Beja, Portalegre e Santarém e a empresa Decsis.

in CiênciaHoje, Fotografia EDP FabLab