As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Thursday, December 29, 2016

APMRA lança guia para investidores estrangeiros em Portugal Rural

Quais as oportunidades de investimento em Portugal, a legislação aplicável e a disponibilidade de recursos humanos qualificados nos territórios rurais portugueses?

Responder a esta pergunta é a função do guia bilingue "Invest in the Countryside of Portugal", que será lançado pela APMRA na primavera de 2017.

A proximidade aos portos marítimos e às redes de autoestradas, a capacidade de desenvolvimento de produtos inovadores pelos recursos humanos nacionais e os baixos custos com terrenos industriais, transformam o nosso país num dos 38 países mais atrativos para o investimento estrangeiro no mundo, conforme índice do Fórum Económico Mundial.

A publicação terá 3000 exemplares, e o preço de capa será de 20€.
Cada município aderente receberá 100 livros que poderá oferecer aos potenciais investidores estrangeiros nos seus concelhos.
Os restantes serão vendidos online, livrarias, aeroportos e estações de serviço.
A publicação terá 260 páginas a cores com textos, fotografias dos entrevistados e dezenas de ilustrações alusivas aos setores económicos mais apetecíveis para investimento.

A informação ficará igualmente disponível online no site http://rural.pt nas suas versões inglesa e francesa, na opção "Invest in Portugal".

Thursday, August 18, 2016

Granito em Creme vence concurso de empreendedorismo em Vila Pouca de Aguiar

O concurso foi lançado pelo Município de Vila Pouca de Aguiar e pela EHATB - Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso, S.A.: concurso de ideias empreendedoras, sob a designação “um novo olhar sobre o granito”.

Desafiar a população a pensar no principal setor económico do território - granito - para inovar e criar valor, foram os objectivos propostos.

Andreia Tão e Alexandra Machado venceram o concurso com a apresentação do Granito em Creme, um produto destinado ao tratamento da pele que será produzido a partir de um desperdício do corte de granito. Este creme tem propriedades esfoliantes, garantem as autoras.

No segundo lugar ficou a proposta de Diana Sousa, equipamentos urbanos em granito destinados aos circuitos de manutenção e bem estar para a população.

O terceiro lugar coube a Elisabete Gonçalves com a proposta de merchandising local alusiva à Capital do Granito, com recurso à produção de souvenirs em sabonete.

Foram atribuídas duas menções honrosas: extintores com pó de granito e centro de formação para pilotos de drones em pedreiras desactivadas.

Este concurso foi um desafio à população e aos empresários para novas abordagens ao setor do granito. Ficaram aqui cinco boas ideias que podem e devem ser exploradas para criar valor e emprego naquela que é uma das maiores fileiras do território, afirmou Duarte Marques, o vereador do Municipio e Vila Pouca de Aguiar que presidiu à cerimónia da entrega de prémios.

O concurso contou com o apoio da APMRA - Associação Portuguesa de Marketing Rural e Agronegócio para a organização, promoção e avaliação de candidaturas.

Thursday, June 16, 2016

Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação

Comemora-se amanhã - 17 de Junho - o Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação, que é celebrado desde 1995, o ano em que o dia foi proclamado pelas Nações Unidas. Neste dia pretende-se promover a sensibilização pública relativas à cooperação internacional no combate à desertificação e os efeitos da seca.


Em Portugal assiste-se ao fenómeno do despovoamento, um estádio anterior aos processos de desertificação: a carência de população rural conduz ao abandono dos territórios agrícolas e florestais, e um simples incêndio seria o suficiente para se iniciar a última etapa de desaproveitamento dos solos.

Para prevenir a desertificação, existem em Portugal vários programas de repovoamento, maioritariamente municipais.

O Programa Novos Povoadores tem abrangência nacional, e é o único que concilia as competências dos migrantes com as estratégias das regiões.
Isso permite que um engenheiro informático seja apoiado p.e. para o desenvolvimento de aplicações, se assim o desejar, e não para áreas da sua incompetência onde teria mais dificuldade em explorar as oportunidades de contexto.

Para o sucesso desta ligação entre famílias e territórios, é fundamental que as regiões tenham estratégias claras para o seu desenvolvimento económico.
Um concelho per si, não tem a capacidade de definir com sucesso um modelo de desenvolvimento económico. Mas tem autonomia para o fazer.
Este desfasamento, entre os poderes constitucionais das câmaras municipais e os requisitos de competitividade económica em contexto de globalização, justificam a maioria dos insucessos das políticas públicas para a manutenção demográfica em territórios de baixa densidade.

A criação das Comunidades Intermunicipais vem colmatar esta lacuna. Mas nem sempre os eleitos aos orgãos autárquicos aproveitam esta oportunidade para a definição das suas estratégias de desenvolvimento.

Frederico Lucas, coordenador do Programa Novos Povoadores

Wednesday, March 30, 2016

O Último Guardador de Cabras

Viaja-se na EN18 em direção a Castelo Branco. Nas proximidades de Alpedrinha, de vez em quando, somos surpreendidos por um fato de cabras. Ao escrever a palavra fato, esclareço que se trata de um conjunto de animais caprinos nas encostas da Serra da Gardunha, como aprendíamos na escola primária. Com tantas reformas e contra-reformas no ensino, talvez já não seja necessário saber o que é um cardume, um pombal, uma vara, uma manada…

Numa tarde soalheira de sábado, concluídas algumas diligências, marcamos encontro no território das pastagens das cabras. António Patrício Tinalhas recebe-me com muita cordialidade, tendo o cuidado de desligar o pequeno rádio portátil.

O nosso guardador de cabras tem raízes nos Enxames, mas nasceu na Fatela há sessenta e oito anos.
Cedo lhe colocaram um rebanho para acompanhar, muitas vezes à custa de faltar à escola. Apesar disso, ainda conseguiu exame da 4ª Classe no Fundão.
Na pastorícia andou, até ser incorporado no serviço militar, que iniciou em Leiria, passando por Castelo Branco e Extremoz durante três anos.
Regressado à vida civil, o pai confiou-lhe o rebanho e o trabalho agrícola, estimulando-o com um vencimento. Todavia, com um salário diário de sessenta e cinco escudos (as mulheres ganhavam vinte e cinco), não conseguiu ficar preso às tarefas do campo. Depressa arranjou passador e “saltou” para Toulouse em França.

Durante catorze anos, esteve ali emigrado, começando por trabalhar numa Fábrica de Curtumes, onde as peles de gado caprino chegavam do Norte de África: Argélia, Tunísia e Marrocos. Seguiu-se o desempenho da função de motorista numa empresa de telecomunicações e, por último, a elaboração de componentes automobilísticos.
Só tem a dizer bem dos tempos na França. No entanto, com os filhos em idade escolar, a entrada de Portugal na CEE e a expectativa de condições laborais e salariais idênticas às de França, decidiu regressar ao seu país natal. Hoje sente que se enganou.
Com as economias francesas, comprou uma casa de habitação e terrenos adjacentes, no Vale dos Clérigos, que recuperou com a implantação de pomares. Voltou novamente à pastorícia, tem essa vocação no seu ADN.

Estamos agora no meio da cabrada: “conheço-as como os dedos das minhas mãos, as mais velhas têm todas um nome: amarela, branca, formosa, cornuda, castelhana, mocha…Se me roubarem alguma sei localizá-la em qualquer local”. O tilintar dos chocalhos, património mundial, não pára e o olhar do Cão Nero, raça Serra da Estrela, está sempre atento a qualquer intruso: “É o meu amigo e companheiro nestas andanças.”
Afirma: “a gente arranja amizade com os animais, acompanhamos e lidamos com eles muitas vezes no dia-a-dia. Ás vezes reconheço que sou áspero, não devia sê-lo.” Todas obedecem ao seu “ ai, ai, ai, fora, fora, uá, uá, uá.”
Esclarece-me que guardar cabras é uma ciência em que se está sempre a aprender. A cabra é um animal inteligente, se faz uma asneira e é repreendida fica escaldada, não volta ao mesmo local tão depressa. A cabra berra ao morrer, mas nunca berra se tiver fome. A ovelha já faz o contrário.
Na proteção da natureza, são as melhores roçadoras das nossas florestas contra os fogos, além de não deixarem os folhedos no chão. Observamos alguns espaços onde não passam as cabras e lá estão silvados e arbustos a dificultar as passagens.
A cabra tem sempre tendência a ir para os pontos mais altos, sobe e nunca desce - tivemos essa experiência enquanto se tomava um café no Cerejal.
O nosso Homem, vendo a cabra lá no alto, desabafava: “Se faço contas, esta vida de pastor não compensa, é uma vida de prisão, difícil, não somos senhores do nosso tempo, não podemos ir a um funeral, a um convívio familiar ou de amigos. Aguento mais um ano, sou o último guardador de cabras de Alpedrinha.”

Texto de António Fernandes e fotografia de João Branco

Sunday, January 03, 2016

Interculturalidade: O fator chave do desenvolvimento



Somos os atores principais das nossas vidas.

A crise dos refugiados não deixa ninguém indiferente.
Tal como na tragédia do Titanic, alguns salva-vidas acolheram apenas metade da sua capacidade, enquanto outros 1514 passageiros morreram congelados ao largo da Terra Nova.

Hoje, 100 anos depois, discutimos o acolhimento daqueles que fogem da guerra.
Somos europeus e vivemos na terra desejada para os sírios. E entre nós, existe quem tenha a ousadia de pensar que deveremos barrar essa entrada, atirando milhões de seres humanos para a morte.

Irónico.
Um continente em envelhecimento entende que não tem espaço para acolher quem nos pede auxilio.

Mais grave.
A História, para quem a conhece, revela que o desenvolvimento nasce na interculturalidade.
Charles Darwin explica que aqueles que melhor se adaptam aos novos contextos são os que têm maior probabilidade de sobrevivência.

A pena de morte foi abolida na Europa - excepção da Ditadura Lukashentina na República da Bielorrússia - mas diversos governos europeus continuam a marginalizar milhões de seres humanos que apelam por auxilio.

Ruralidade com futuro!
Para além do despovoamento, os territórios rurais na Europa têm recursos para acolher novos residentes.
Se esses residentes trouxerem novas competências, poderemos construir uma ruralidade com futuro: mais inclusiva, mais inovadora, mais efectiva.

O desafio está nas mãos daqueles que não se resignam ao papel de figurantes das suas vidas.